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Tenente-coronel da PM preso por feminicídio é acusado de assédio e ameaça contra subordinada

A notícia-crime pedindo a abertura da investigação foi protocolada pela defesa de uma soldado que era subordinada de Geraldo Neto no 49º Batalhão da PM, em Pirituba, zona norte de São Paulo
Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi morta em 18 de fevereiro com um tiro na cabeça; seu marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, foi preso Foto: Reprodução
A notícia-crime pedindo a abertura da investigação foi protocolada pela defesa de uma soldado que era subordinada de Geraldo Neto no 49º Batalhão da PM, em Pirituba, zona norte de São Paulo

Estadão Conteúdo

08/05/26
às
8:23

- Atualizado há 30 segundos

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O tenente-coronel da Polícia Militar (PM) de São Paulo Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, foi denunciado à Corregedoria da corporação pelos crimes de descumprimento de missão, assédio sexual e moral, ameaça e fraude processual. A notícia-crime pedindo a abertura da investigação foi protocolada pela defesa de uma soldado que era subordinada de Geraldo Neto no 49º Batalhão da PM, em Pirituba, zona norte de São Paulo. A reportagem entrou em contato com a defesa de Geraldo Neto e aguarda retorno.

O oficial também é réu pelo feminicídio da mulher dele, a também policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos. O crime aconteceu em 18 de fevereiro deste ano, dentro do apartamento do casal, no Brás, região central da capital paulista. Segundo a investigação, ele matou a policial com um tiro na cabeça. Geraldo Neto foi preso um mês depois. Ele sempre negou o crime e sustenta que Gisele teria cometido suicídio após saber que o marido queria a separação. A versão é contestada por investigadores.

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A notícia-crime, à qual o Estadão teve acesso, baseia-se no relato e em uma série de mensagens que teriam sido enviadas pelo tenente-coronel à soldado, de forma insistente, no decorrer de meses. As mensagens anexadas ao documento passaram por uma perícia particular, segundo o advogado Thiago Lacerda, que atua na defesa da soldado neste caso.

Em nota, a PM informou que “os fatos narrados foram registrados na Corregedoria e se encontram em apuração”.

A denúncia aponta que os assédios começaram logo nas primeiras semanas do tenente-coronel no comando do batalhão onde a soldada já atuava. Em um determinado dia, o oficial ofereceu à soldado, em uma conversa em particular na cozinha do batalhão, o cargo de secretária dele. Segundo o documento, na conversa, ele também começou a questionar sobre a vida privada da soldado.

Após algumas investidas, em 26 de junho de 2025, o tenente-coronel ficou insistindo para que a praça fosse tomar um café com ele. Em reposta, ela disse que a aproximação dele não era e nem seria correspondida. A negativa não impediu que o oficial seguisse insistindo. Em dado momento, ela teria sido ameaçada de transferência caso não aceitasse ser a secretária dele. Por conta disso, a soldado pediu para deixar o efetivo administrativo e retornar ao patrulhamento de rua.

“No início quando o Ten Cel PM Neto começou a mandar mensagens, ele tentou uma aproximação mostrando interesse em sua vida, acompanhado de elogios sobre a postura, fardamento, educação, etc”, trecho do documento. “Ele ainda se aproximou de pessoas que eram próximas a ela e sempre que tinha alguma reunião no batalhão, ele a chamava para conhecer a sala dele”, continua. Sabendo das “segundas intenções”, a soldado afirma que sempre foi na companhia de outra pessoa.

Ainda segundo a notícia-crime, o oficial continuou sendo insistente em fazer convites para a soldado. “Ela evitava qualquer tipo de contato com ele, mas ele, de forma astuta, mantinha contato com uma cabo e dois soldados que eram mais próximas a ela, para assim continuar mandando seus recados e se abrindo com elas. E essas mesmas policiais, não se sabe por qual motivo, tentavam convencê-la que o tenente-coronel gostava dela e que ele estava separado da mulher dele”, aponta.

Em agosto de 2025, as mensagens passaram a ser mais explícitas, de acordo com o documento. O oficial teria começado a mandar mensagens dizendo “que a queria para ele”, “que ninguém precisava ficar sabendo”, que era para ser “algo em off” e disse ainda que “queria beijar a sua boca”. As mensagens eram seguidas de convites para sair.

“Apesar de todas as negativas declaradas pela Soldado da PM, o Ten Cel PM Neto era insistente e tentava lhe ligar o tempo todo. Como ela não atendia e nem lhe respondia, ele insistia ainda mais, pedia para atender e conversar com ele. Mandava mensagens o tempo todo, quase todos os dias, mesmo sem ter uma resposta dela”, diz outro trecho.

Em ao menos duas oportunidades, com base no documento, o tenente-coronel foi até o endereço da soldado – em uma delas com um buquê de flores. Em setembro de 2025, após insistentes ligações, mensagens e recados por terceiros, a soldado disse ao tenente-coronel que eles “nunca teriam nenhum tipo de relacionamento amoroso e afetivo, mesmo que ele viesse a se separar” e que ela só “queria respeito”. Ela também pediu para que ele focasse em seu casamento.

O documento mostra também que a soldado Gisele, vítima de feminicídio, chegou a mandar mensagem para a soldado assediada sobre “uma denúncia” de que ela estava tendo um caso com o seu marido. Em março deste ano, já depois da morte de Gisele, o tenente-coronel teria tentado contato com a soldado assediada para explicar sobre o caso.

“Ela pediu para ele deixá-la em paz, pois devido às atitudes dele, o nome dela estava sendo associado como amante dele por causa de seu comportamento, agindo como um ‘maluco'”, indica o texto. O documento destaca ainda que a soldado só teve coragem de realizar a denúncia, por meio de seu advogado, após a prisão do oficial.

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