
- Atualizado há 4 anos
Famílias que fazem parte de uma ocupação no bairro Campo de Santana, em Curitiba, realizaram na manhã desta terça-feira (30) uma manifestação em frente a Construtora Piemonte, no bairro Batel. Elas temem uma reintegração de posse a qualquer momento, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) negou um pedido da Defensoria Pública para barrar a intervenção com o apoio das forças policiais.

Ao analisar o caso, o ministro Roberto Barroso entendeu que a ocupação não está amparada pelo STF – que determinou a suspensão de despejos e desocupações em razão da pandemia até 31 de outubro – por ter ocorrido após 31 de março de 2021, data de alcance da decisão. Com isso, assim que a construtora solicitar a reintegração ela deverá acontecer.
No terreno, de cerca de 1,8 hectares, moram mais de 400 famílias, desde junho deste ano. Para Mariana Kauchakje, que faz parte da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), uma possível reintegração é preocupante.
“É uma terra que não tem nada há 30 anos e aqui em Curitiba, por aluguéis caros e a fila da Cohab que não anda, as pessoas pararam de pagar e tiveram que mudar para cá. São mais de dez ocupações na capital no período da pandemia e nesta muitas famílias já estão estabelecidas. Se saírem, não terão para onde ir”, afirmou em entrevista ao Portal Nosso Dia.

As famílias contam com o apoio da Defensoria Pública, que foi quem buscou o recurso negado junto ao STF. “A Justiça entenda que o direito à propriedade vem em primeiro lugar em relação ao direito à moradia das pessoas. Elas só estão querendo o que é de direito”, complementou Mariana
Também presente na manifestação, a coordenadora estadual do MTST, Fernanda Cordeiro, passou mais detalhes sobre a ocupação. “As famílias estão acampadas há dois meses e houve uma ordem de despejo até dia 27 de agosto, com uma desocupação voluntária, o que não aconteceu. Temos centenas de famílias morando lá dentro, com crianças e tudo mais. Ali tem muitas famílias que construíram suas casas, que ficaram sem ter onde morar por causa da pandemia”, explicou.

Os manifestantes tentaram uma reunião com a construtora, o que não foi possível. Eles conseguir uma reunião com a comissão de conflitos fundiários, que deve acontecer nesta tarde.
O Portal Nosso Dia buscou contato com o atendimento da construtora responsável pelo terreno, mas não teve sucesso. O espaço está aberto para o posicionamento dela.