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Sempre cansada e sem tempo? Falta de organização já é problema de saúde entre mulheres

Especialista explica que falta de rotina mantém o cérebro em constante alerta, o que compromete foco, bem-estar e qualidade de vida
Foto: Divulgação
Especialista explica que falta de rotina mantém o cérebro em constante alerta, o que compromete foco, bem-estar e qualidade de vida

Por Assessoria

19/01/26
às
10:02

- Atualizado há 35 segundos

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A lista de afazeres é extensa: levar e buscar filhos na escola, marcar consultas médicas, cuidar da casa, preparar refeições e ainda cumprir a jornada de trabalho. Embora esse cenário represente um estresse comum a muitos adultos, a sobrecarga segue sendo, majoritariamente, feminina.

Dados da Fundação Perseu Abramo, em parceria com o SESC-SP, mostram que 93% das mulheres no Brasil assumem sozinhas os trabalhos domésticos, enquanto 49% dos lares são chefiados por mulheres.

Nesse contexto, a sensação de cansaço extremo, falta de tempo e esgotamento emocional tornou-se recorrente.

Para além do volume de tarefas, especialistas apontam que um fator menos evidente pode agravar esse quadro: a desorganização da rotina. Viver sem processos mínimos e previsibilidade ativa mecanismos de estresse no cérebro, o que mantém o organismo em estado contínuo de alerta.

Falta de organização intensifica a sobrecarga

A ausência de organização aprofunda um cenário já alarmante nos lares brasileiros. Dificuldade para priorizar tarefas, sensação constante de “apagar incêndios” e a percepção de que nada é concluído fazem parte do cotidiano de mulheres que acumulam múltiplas jornadas.

O resultado aparece em ciclos de ansiedade, exaustão e frustração. Segundo a pedagoga e criadora do método Tríade, Patricia Oliveira, a desorganização não deve ser vista apenas como um hábito inadequado, mas como um fator que interfere no funcionamento cerebral.

“Quando a mulher não tem uma rotina minimamente previsível, o cérebro interpreta esse cenário como uma ameaça constante, mesmo que ela não exista”, explica.

De acordo com a especialista, esse estado mantém ativado o sistema primitivo de defesa do cérebro, responsável pelas respostas de luta ou fuga.

“O corpo se prepara o tempo todo para um perigo que nunca chega. Isso mantém o coração acelerado, o cortisol elevado e dificulta o acesso às funções do neocórtex, responsáveis pelo planejamento e pela tomada de decisões”, afirma.

Fatores culturais e cobrança social ampliam o impacto

O peso da desorganização tende a recair de forma mais intensa sobre as mulheres. Patricia explica que fatores culturais e sociais tornam esse grupo mais sensível aos espaços, às tarefas e às demandas emocionais do dia a dia.

Com o acúmulo de funções, a rotina se torna mais dinâmica e exige atenção constante a diferentes frentes, o que aumenta a chance de desordem nos processos cotidianos.

Outro ponto está ligado à cobrança social.
“As mulheres são mais julgadas pela forma como organizam suas tarefas e seus ambientes. Isso eleva a autocobrança e o estresse. Muitas acabam deixando de lado o tempo necessário para estruturar a própria vida”, observa.

Esse contexto afeta, sobretudo, mulheres que priorizam família, trabalho e relações, enquanto adiam a organização dos próprios processos.

Programa ensina a organizar vida na prática

Diante desse cenário, Patricia estruturou a Tríade, um programa educativo voltado à organização da vida prática.

A proposta parte da pedagogia e da criação de microprocessos para ajudar mulheres a estabelecer uma rotina previsível, antecipar demandas e reduzir o estado permanente de alerta.

A lógica é semelhante à de um ambiente escolar bem estruturado, no qual há horários, sequências e referências claras. A diferença, segundo a pedagoga, é que na vida adulta muitas mulheres não contam com esse suporte.

“Na escola, existe um professor, uma pedagoga, alguém que orienta processos. Na vida adulta, esse apoio não existe. A Tríade atua nesse espaço, ensinando a mulher a observar sua própria vida, organizar áreas distintas e visualizar avanços de forma concreta”, explica.

Com processos definidos, a tendência é que a energia antes consumida pelo estado de alerta seja direcionada para tarefas que exigem análise, presença e qualidade. Isso reflete tanto no trabalho quanto na vida doméstica e nas relações pessoais.

Presença e clareza no cotidiano

Ao sair do estado de emergência, a mulher passa a organizar prioridades, executar uma tarefa por vez e concluir atividades com mais tranquilidade. O ganho aparece na percepção de dever cumprido e na possibilidade de viver cada momento com atenção plena.

“Quando a organização se estabelece, a mulher consegue estar onde está. No trabalho, pensa no trabalho. Com a família, vive o tempo com a família. Isso muda a relação com a própria vida”, conclui a especialista.

A pedagoga compartilha conteúdos sobre organização da vida prática e rotina feminina no Instagram, onde também apresenta o programa educativo Tríade, voltado à estruturação de processos do cotidiano adulto.

Para acessar ao perfil, clique aqui

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