
- Atualizado há 4 anos
Retomando o mandato após liminar do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), Renato Freitas (PT) voltou à Câmara Municipal de Curitiba nesta segunda-feira (10). A sessão foi marcada por hostilidade e troca de acusações entre os vereadores.

Em pronunciamento, Freitas agradeceu aos apoiadores e criticou diversos vereadores, citando nominalmente alguns deles.
“Gostaria de agradecer aos vereadores que tentaram me cassar. Afundados na própria cobiça, cegueira e ódio, tornaram possível e pública uma questão tão importante: qual o papel da igreja na luta contra o racismo? Qual o papel das casas legislativas na luta contra o racismo? Qual o papel da sociedade, em especial curitibana, na luta contra o racismo? Eu diria que aquele que não ama o seu próximo, é sete vezes maldito, mas aquele que faz do seu próximo um inimigo, é 70 vezes 7 maldito. Os homens de ódio só conseguem amar a si próprios”, disse.
Diante do posicionamento, alguns vereadores decidiram falar. Osias Moraes (Republicanos), que protocolou uma das quatro representações contra Freitas, voltou a afirmar que o processo não foi motivado por uma questão racial.
“O Renato Freitas é um experimento da esquerda para quebrar limites, para entrar aos pouquinhos e quebrar os limites da sociedade. Até onde a sociedade vai? Porque nós não somos cegos e nem burros, quem assiste ao vídeo, vê que o vereador Renato Freitas invade a igreja, claramente com o microfone com o qual fazia manifestação legítima em frente a igreja”, afirmou.
Segundo ele, é Renato quem ataca a religião e a fé dos demais parlamentares.
“Se é essa guerra que você quer aqui dentro, então vamos para a guerra, porque aqui dentro nós não ficaremos mais calados aos seus ataques, às suas falácias”, criticou Moraes.
Mauro Ignácio (União), por sua vez, criticou o Supremo Tribunal Federal (STF).
“Acho que vamos ter que queimar em praça pública o regimento interno. Essa casa ficou três meses discutindo o tema, para ser invalidado pelo STF. Não podemos nos omitir dessa vergonha que está sendo imputada a vereadores e vereadoras, das ofensas que estamos recebendo gratuitamente e, claro, não vou entrar nessa questão, mas não houve racismo”, declarou.
O discurso foi acompanhado por manifestações de apoiadores de Freitas nas galerias. Por algumas vezes, o presidente da sessão, Alexandre Leprevost (Solidariedade), ameaçou suspender a sessão.
Dalton Borba (PDT), por outro lado, defendeu Renato Freitas e afirmou que ele em momento algum cometeu crime. “Se o STF se calasse, o direito certamente pereceria”, citando a candidatura eleitoral do petista.
Ezequias Barros (PMB), por fim, citou a eleição de Freitas para a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e disse não acreditar que o petista manterá a mesma postura.
Em Brasília, a Câmara de Curitiba irá recorrer da decisão de Barroso.
“Além de dar cumprimento à decisão monocrática do ministro do STF, a Câmara entrou com o agravo regimental, a fim de que a questão possa ser revista. A Câmara ainda sustentará a impugnação ao pedido de Reclamação [que gerou a suspensão]”, detalha Tico Kuzma (Pros), presidente do Legislativo.