
- Atualizado há 2 anos
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A representação feita pelo deputado estadual Renato Freitas (PT) contra o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), o deputado Ademar Traiano (PSD), encaminhada pela Mesa Diretiva ao Conselho de Ética no fim desta segunda-feira (19). O petista alega que Traiano cometeu quebra de decoro parlamentar ao confessar que pediu e recebeu propina de Vicente Malucelli, empresário que tinha um contrato de prestação de serviço de televisão com a Alep.
Ao ser questionado sobre uma possível demora no andamento do processo, já que a representação aconteceu no fim do ano passado, o primeiro-secretário da Alep, Alexandre Curi descartou e confirmou o prosseguimento da representação.
“Não houve lentidão, porque tivemos o recesso que foi interrompido”, disse o deputado, que em seguida destacou que uma decisão por uma renúncia à presidência da Alep só pode ser tomada por Traiano. “Ele foi eleito por unanimidade. Entendo que o Ministério Público (MPPR) fez a investigação e decidiu pela devolução ao erário. Em relação à questão jurídica, o assunto está encerrado. A decisão de permanecer na presidência, cabe a ele, em mostrar o motivo de continuar”, concluiu Curi.
O presidente do Conselho de Ética, deputado delegado Jacovós, afirmou que a Mesa encaminha ao Conselho e é dado o prosseguimento a reapresentação. “Chegando, ela será colocada em pauta, assim como outras seis representações contra deputados”, disse Jacovós, que ao ser questionado se houve demora no encaminhamento sobre Traiano, não negou. “Você pode comparar com o tempo que levou a representação contra o Renato Freitas, que foram quatro dias. Se você somar dois mais dois é igual a quatro”, refletiu.
O deputado afirmou que com a definição do relator são 60 dias para que o caso seja julgado no Conselho de Ética. “Chegando eu já distribuo a pauta. No Conselho de Ética o processo é rápido. Chegando, imediatamente vamos iniciar o processo”, concluiu.
Na tarde desta segunda-feira (19), antes da sessão na Alep, o presidente Ademar Traiano falou pela primeira vez sobre a confissão de ter recebido propina do empresário Vicente Malucelli, em acordo com o Ministério Público do Paraná (MPPR). Ao Portal Nosso Dia, durante a sessão da ALEP na tarde desta segunda-feira (19), Traiano afirmou que o dinheiro recebido era de doação de campanha e que não deve nada à Justiça.
“Foi uma doação de campanha e eu continuo afirmando que foi isso. O acordo que eu fiz é dentro da legalidade. Não respondo a nenhum processo, tanto na esfera do Ministério Público (MPPR) quanto do Tribunal de Justiça do Paraná”, disse Traiano.
Segundo o acordo com o MPPR, Traiano e o ex-deputado estadual, Plauto Miró, receberam propina do empresário no valor de R$ 100 mil. O valor era para a renovação de um contrato de televisão para produção de conteúdo da TV Assembleia.
Questionado pelo Nosso Dia sobre o motivo de até então não ter dado entrevistas sobre o caso, Traiano afirmou que é um direito adquirido. “Eu não sumi, continuo aqui presidente e é um direito que tenho de buscar o que a lei me permite, portanto não quero discutir o assunto”, afirmou o presidente da Alep, também ao ser questionado sobre o motivo de pedir o sigilo no caso.
Após estes questionamentos, Traiano deixou o espaço de entrevista, mas ainda foi questionado pelo Portal Nosso Dia e a reportagem da RPC TV, presentes na ALEP. “Estou aqui perante a sociedade paranaense para afirmar que não devo nada à Justiça. Estou com a consciência tranquila e fiz o que a lei permitiu”, disse.
Por fim, ao ser questionado sobre a afirmação de ser uma doação de campanha feita fora do período eleitoral, o parlamentar afirmou que isso é comum. “É assim que acontece no meio político”, concluiu.