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Reforma tributária muda regras do jogo e pode afetar competitividade de empresas do Simples

Sigrid Kersting alerta para impacto do “preço líquido” nas relações entre empresas e destaca necessidade de estratégia
Sigrid Kersting | Crédito: divulgação
Sigrid Kersting alerta para impacto do “preço líquido” nas relações entre empresas e destaca necessidade de estratégia

Redação Nosso Dia

28/03/26
às
11:28

- Atualizado há 2 horas

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A reforma tributária brasileira trouxe uma mudança silenciosa, mas com potencial de alterar profundamente a competitividade das empresas optantes pelo Simples Nacional, especialmente no mercado entre empresas (B2B). O ponto central dessa transformação está no conceito de preço líquido, que passa a influenciar diretamente as decisões comerciais.

De acordo com a tributarista Sigrid Kersting, todas as empresas do Simples passarão a ser contribuintes da CBS a partir de 2027 e do IBS a partir de 2029. Nesse novo cenário, surge uma escolha estratégica: permanecer no regime atual ou migrar para o regime regular de apuração desses tributos.

“No modelo atual, a empresa segue recolhendo pelo DAS, mas transfere ao cliente um crédito muito reduzido. Já no regime regular, ela destaca CBS e IBS na nota, aproveita créditos das aquisições e repassa integralmente ao cliente, o que muda completamente a percepção de preço”, explica.

Simulações apresentadas pela especialista mostram o impacto dessa diferença. Em 2027, um fornecedor no Simples pode gerar cerca de R$ 0,65 em crédito ao cliente, enquanto no regime regular esse valor pode chegar a R$ 9,33. Em 2033, a diferença pode ser ainda maior: R$ 2,70 contra R$ 28,00.

Essa lógica altera o que realmente importa nas negociações. “Com CBS e IBS destacados, o valor total da nota deixa de ser o principal fator. O que pesa é o quanto o cliente consegue recuperar em créditos. Isso redefine a competitividade entre fornecedores”, afirma.

Na prática, dois fornecedores com o mesmo preço final podem ter níveis de competitividade completamente diferentes quando analisados sob a ótica do preço líquido. Empresas que geram mais créditos tendem a ser mais atrativas, principalmente no ambiente B2B.

A especialista também destaca que a escolha pelo regime não é definitiva e pode ser feita até duas vezes ao ano. No entanto, exige cautela. “Se houver acúmulo de créditos com pedido de ressarcimento, a empresa pode ficar obrigada a permanecer no regime regular até o fim do ano seguinte. Por isso, é uma decisão técnica e estratégica”, alerta.

Outro desafio está na complexidade da análise. Com diferentes anexos, faixas de faturamento e um período de transição que vai até 2033, existem inúmeras combinações possíveis. “Cada empresa precisa de simulações específicas, considerando sua operação e o perfil dos clientes. Não existe solução única”, reforça.

Para Sigrid, a reforma rompe com uma percepção consolidada no mercado. “O Simples Nacional sempre pareceu a escolha mais óbvia. Agora, essa decisão precisa ser reavaliada. Quem dominar essa análise vai gerar vantagem competitiva real.”

Imersão em São Paulo

A especialista promove no dia 15 de maio, em São Paulo, a quarta edição da Mansão Tributária, evento presencial voltado à análise prática de casos reais. A imersão reúne profissionais de todo o país para discutir estratégias aplicadas e geração de resultados no cenário da reforma.

O encontro será realizado na Diamond House Morumbi e terá formato diferenciado, com mesas redondas e aprofundamento técnico das operações. O público-alvo inclui advogados, contadores e profissionais da área tributária.

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