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Preta Gil, Simony e câncer no intestino: Por que doença é cada vez mais comum antes dos 50?

O câncer de intestino, também chamado de cólon e reto, é um dos mais comuns no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca)
O câncer de intestino, também chamado de cólon e reto, é um dos mais comuns no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca)

Estadão Conteúdo

11/01/23
às
11:00

- Atualizado há 3 anos

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A cantora Preta Gil, de 48 anos, publicou em seu perfil no Instagram nesta terça-feira, 10, um comunicado informando que foi diagnosticada com câncer que afeta o intestino. Em agosto, Simony, de 46 anos, também identificou a doença na mesma região.

Preta Gil (Foto: Instagram)

A manifestação desse tipo de câncer em pacientes com menos de 50 anos é vista pela medicina como de início precoce e tem se tornado cada vez mais comum. Estudo feito em 2022 pela Universidade Harvard (EUA), publicado na revista científica Nature Reviews Clinical Oncology, mostrou que mesmo os cânceres que comumente eram diagnosticados em pessoas mais velhas, como os de intestino, mama, estômago e pâncreas, têm crescido entre pacientes com menos de 50 anos.

Após revisar os registros de câncer de 44 países, os cientistas identificaram que essa incidência de câncer de início precoce está aumentando rapidamente em muitos países de renda média a alta, o que indica que não se trata de uma questão de falta de recursos.

Entre os possíveis motivos para esse movimento, o estudo aponta que o estilo de vida da sociedade, que mudou consideravelmente nas últimas décadas. Sedentarismo, consumo de ultraprocessados, obesidade, distúrbios no sono e poluição ambiental estão entre os hábitos que favorecem o surgimento da doença – e são mais comuns hoje que há 50 anos.

Além disso, o uso de tecnologias mais precisas na detecção de tumores sensíveis, como os de tireoide, pode estar contribuindo para o diagnóstico precoce de cânceres que se alastram lentamente.

Nas últimas semanas, o câncer do cólon também foi a causa de morte dos ex-jogadores de futebol Pelé, aos 82 anos, e Roberto Dinamite, aos 68 anos.

O câncer de intestino

câncer de intestino, também chamado de cólon e reto, é um dos mais comuns no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), logo atrás dos de pele, mama e próstata. A doença é mais comum entre os 60 e os 65 anos. Geralmente, o intestino grosso é o afetado.

Tem tratamento, na maioria dos casos, e é curável se detectado precocemente e ainda não atingiu outros órgãos. Apesar de a incidência ser semelhante em homens e mulheres, a mortalidade, segundo o Inca, varia de 8,4% dos casos em pacientes do sexo masculino a 9,6% no sexo feminino.

Na maioria dos casos, o câncer começa com uma pequena lesão ou ferida no intestino, um pólipo (verruga), que não resulta em sintomas. É comum que os sintomas surjam apenas quando a lesão está avançada, quando causa obstrução no intestino e dificulta a passagem das fezes ou se aprofundou nas camadas do intestino, causando dores.

“A grande maioria dos pólipos nunca vão ser um problema na saúde das pessoas. Porém, há risco de o pólipo degenerar para câncer, o que demora, em média, 10 anos”, afirmou Tulio Pfiffer, médico-oncologista do Hospital Sírio-Libanês, em entrevista ao Estadão em dezembro.

Cerca de 85% dos cânceres de cólon, explica, nascem de pólipos, por isso é importante se precaver mesmo na ausência de sintomas. “Quando se identificam as pessoas que têm e produzem pólipos, elas entram em um programa de rastreamento e remoção desses pólipos, evitando que evolua para câncer”, explica Pfiffer.

Sintomas e tratamento

Os sintomas mais comuns do câncer de cólon são sangramento detectado nas fezes, alteração no tamanho das fezes (muito finas, por exemplo), mudanças na frequência de ir ao banheiro e constipação. Os sinais podem incluir também dores abdominais, redução de peso e até vômitos, em casos mais agravados.

colonoscopia é o principal exame para detectar pólipos e/ou tumores. Foi a forma como Simony – que passou por quimioterapia e radioterapia – descobriu a doença.

“No exame de sangue existem marcadores tumorais, mas eles não devem ser critério de rastreamento e diagnóstico”, explica Pfiffer. Segundo ele, os marcadores tumorais cumprem função posterior – para acompanhar a gravidade da doença quando o diagnóstico já foi estabelecido.

Os principais tratamentos são cirurgias (para estágios iniciais), quimioterapia, imunoterapia e radioterapia.

Prevenção

Considerando pessoas sem histórico da doença da família, a Sociedade Americana de Câncer passou a recomendar o rastreamento de câncer colorretal pela colonoscopia a partir dos 45 anos, mesmo quando não houver sintomas, após identificar o aumento de casos entre pessoas mais jovens. O ideal é fazer o exame a cada três a cinco anos.

Pessoas com histórico de câncer colorretal na família devem procurar um médico o quanto antes para que ele avalie a necessidade e frequência do rastreio. O fato de ter um parente em 1º grau que já teve câncer colorretal faz com que a pessoa tenha mais riscos de desenvolver o problema.

“Uma parte dos tumores, de 10% a 15%, pode ter um componente hereditário-germinativo”, explica Pfiffer. Nesse caso, as pessoas nascem com predisposições genéticas de formar câncer.

Em geral, hábitos alimentares também podem influenciar negativamente, como dietas com alta ingestão de carne vermelha, alimentos ultraprocessados, industrializados (como presunto, salame, embutidos e enlatados) e pobres em frutas, vegetais e fibras. Tabagismo e alcoolismo são considerados outros fatores de risco.

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