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O homem investigado por aplicar golpes contra entidades beneficentes e prefeituras no Paraná se apresentava como secretário de governo e utilizava a falsa posição para ganhar credibilidade. O esquema, segundo a Polícia Civil do Paraná, causou prejuízo de pelo menos R$ 150 mil. O suspeito foi identificado como Evandro Dal Molin, preso na sexta-feira (17).
De acordo com a delegada El Santos de Freitas Cavalcanti, o caso envolve crimes de estelionato, falsificação de documentos, usurpação de função pública e possível lavagem de dinheiro, inclusive com uso de uma instituição religiosa ligada à família do investigado.
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“Nós investigamos estelionato, falsificação de documentos, usurpação de função pública e possível lavagem de dinheiro. Ele buscava vantagem econômica e também de prestígio”, afirmou a delegada.
Segundo ela, o suspeito, se apresentava em instituições como integrante do governo estadual. “Ele se apresentava como secretário de governo no Paraná, dizia que permanecia na Secretaria de Gestão e prometia recursos para ONGs, solicitando contrapartidas financeiras para a liberação desses valores, alegando burocracia”, explicou.
A partir da confiança conquistada, o investigado ampliava o alcance do golpe. “Com essa notoriedade, ele encontrava pessoas influentes na região e oferecia oportunidades de locação de veículos ao setor público, com cotas de R$ 40 mil. Algumas vítimas chegaram a investir R$ 100 mil”, detalhou.
A delegada destacou ainda que o suspeito construiu uma imagem pública ao longo dos anos. “Há pelo menos seis anos ele vinha criando um conceito político nas redes sociais, participando de eventos e se associando à liberação de recursos para causas solidárias. Em prefeituras menores, acreditavam que estavam recebendo um secretário do governador Carlos Massa Ratinho Junior, com ligação com o Ministério do Desenvolvimento”, disse.
Conforme a investigação, o suspeito é apontado como o principal articulador do esquema. “Ele é o cabeça da situação. Havia pessoas que davam suporte, mas muitas acreditavam que ele realmente era um agente político”, afirmou.
Outro ponto que facilitava os golpes era o uso de documentos falsificados. “Havia falsificação de termos de liberação de recursos. Quem não tem familiaridade com esse tipo de documento era facilmente enganado”, ressaltou.
Ainda segundo a delegada, todo o esquema também teria sido utilizado para impulsionar uma pré-candidatura. “Ele construiu esse arcabouço para fomentar uma pré-candidatura a deputado federal”, declarou.
A Polícia Civil solicitou a prisão do investigado e de uma mulher apontada como participante do esquema. “Há movimentações bancárias ligadas a essa pessoa, mas a prisão dela ainda não foi cumprida”, disse.
Evandro foi preso em um hotel em São José dos Pinhais. “Identificamos uma possível tentativa de fuga. Ele estava no hotel e teria ido ao encontro do filho”, explicou a delegada.
Sobre os valores obtidos com os golpes, a apuração segue em andamento. “Inicialmente não identificamos grandes bloqueios de bens, mas ele usufruía desse dinheiro com viagens, hospedagens e consumo de alto padrão. Talvez não tenha havido grande acúmulo em contas, mas houve uso desses recursos”, afirmou.
A delegada também destacou que parte dos valores era direcionada para contas ligadas à igreja. “Uma das vítimas relatou que o valor solicitado para locação seria depositado na conta da instituição religiosa. Ainda é prematuro concluir, mas há indícios de tentativa de dar aparência lícita aos recursos”, concluiu.
As investigações continuam para identificar outras vítimas e aprofundar o rastreamento do dinheiro movimentado pelo grupo.
O espaço permanece aberto caso a defesa do investigado queira se manifestar.