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A Polícia Federal finalizou as apurações sobre irregularidades identificadas em 50 postos de combustíveis de Curitiba e da Região Metropolitana. As conclusões da investigação foram divulgadas nesta sexta-feira (23) e apontam dois tipos principais de golpes aplicados contra os consumidores: adulteração no volume abastecido e composição irregular da gasolina. Os nomes dos postos não foram divulgados.
O inquérito é resultado da Operação Tank, deflagrada para mapear a atuação de uma organização criminosa responsável pelo controle de uma rede de postos. As perícias técnicas confirmaram a existência de um esquema estruturado e contínuo de fraude.
Um dos métodos identificados foi a manipulação conhecida como “bomba baixa”. Conforme a Polícia Federal, os investigados utilizavam equipamentos eletrônicos que permitiam alterar, à distância, o funcionamento das bombas por meio de aplicativos em celulares. Com isso, o consumidor pagava por uma quantidade maior de combustível do que efetivamente recebia. Em alguns casos, a diferença ultrapassou 8%, índice muito acima do permitido pela legislação.
Outra irregularidade constatada envolveu a qualidade do combustível comercializado. Exames laboratoriais indicaram níveis extremamente elevados de etanol misturado à gasolina comum. Em situações mais graves, o percentual chegou a 79%, quando o limite legal é de 27%, com margem de tolerância de apenas um ponto percentual.
Segundo a PF, além de configurar crime, a prática provocava prejuízos diretos aos motoristas, com risco de danos mecânicos, e aumentava de forma ilícita o lucro do grupo investigado.
Com a conclusão do inquérito, a Polícia Federal solicitou o indiciamento de oito pessoas apontadas como responsáveis pela administração e comando da rede de postos. Elas devem responder por crimes contra a ordem econômica e por estelionato, pela indução do consumidor ao erro para obtenção de vantagem financeira indevida.
As investigações indicam que as práticas ilegais ocorreram de forma reiterada. Somadas, as penas podem ultrapassar 40 anos de reclusão para cada envolvido.
De acordo com a Polícia Federal, o esquema de fraudes nos postos era utilizado como base para um sistema estruturado de lavagem de dinheiro. Os valores obtidos com as irregularidades eram reinseridos em uma cadeia financeira que movimentou bilhões de reais, com uso de empresas de fachada e pessoas interpostas para ocultar a origem ilícita dos recursos.