
- Atualizado há 2 meses
A morte do cachorro Orelha, após um episódio de extrema violência em Santa Catarina, provocou comoção nas redes sociais e levou o influenciador Felca a fazer um apelo público por mudanças estruturais na proteção animal no Brasil. Ele pediu a criação de um disque denúncia para maus-tratos e salientou que o caso não pode cair no esquecimento.
Natural de Londrina, Felipe Bressanim Pereira, de 26 anos, o Felca afirmou que o caso não pode cair no esquecimento após a onda de indignação. Segundo ele, Orelha “só conhecia bondade” e foi vítima de agressão brutal. “Um destes adolescentes não tinha carinho para dar. Ele usou uma garrafa e deu um golpe na cabeça. Um tempo depois, as pessoas que cuidavam dele acharam ele agonizando. No veterinário ele teve eutanásia”, relatou.
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Felca também questionou a condução das investigações e o número de envolvidos apontados no caso. “Testemunhas viram seis, depois três e agora foi um. Estranho? Eu não boto a mão no fogo por ninguém. Um caso com câmeras e testemunhas levou semanas para concluir. É mais ou menos como funcionam as coisas por aqui”, disse.
Apesar de reconhecer que parte do público já demonstra cansaço com a repercussão, o influenciador afirmou que a indignação é necessária. “Eu vejo pessoas incomodadas com tanto que esse caso repercutiu. Já entendemos que foi cruel, já vimos, já deu… mas eu vejo isso com bons olhos. Um caso chocante é bom que choque. É sinal que ainda somos humanos.”
Felca citou dados internacionais para reforçar a gravidade do cenário brasileiro. Segundo ele, o Brasil é classificado com nota D no índice de proteção animal da organização World Animal Protection, ficando atrás de países como Índia e México. “No ano passado foram 13 casos de maus-tratos a animais por dia”, destacou.

O principal ponto defendido por ele é a criação de um canal nacional específico para denúncias de maus-tratos. “Por que não existe um disque denúncia de maus-tratos a animais no Brasil? Hoje, quando você vê um caso, tem que ligar 190, registrar boletim de ocorrência, postar vídeo na internet e torcer para viralizar. A maioria desiste pelo trabalho que dá — e quem sofre é o animal”, afirmou.
Para o influenciador, a mobilização pode resultar em mudança concreta. Ele citou como exemplo países como a Alemanha, onde a criação de um canal específico teria aumentado de duas a quatro vezes o número de denúncias. “Quando denunciar é fácil, acontece. O agressor muda o comportamento. Você liga e fala do risco imediato. Ninguém fica perdido, é um canal único”, disse.
Felca encerrou pedindo união e pressão popular. “Vamos usar a revolta que a gente sente para uma mudança real, para que o cachorro Orelha seja eternizado como o cachorrinho que salvou milhões de outros. Um disque denúncia mudaria tudo, mas precisa de todo mundo unido. Eu não tenho força nenhuma, você tem. Cobre influenciadores. Podemos pressionar o Ministério da Justiça para salvar milhões de animais.”