
- Atualizado há 2 horas
O deputado estadual Renato Freitas (PT) abandonou uma audiência do Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná que apura a conduta dele durante uma manifestação realizada após a morte de Rodrigo Boschen, de 22 anos, no hipermercado Muffato, no bairro Portão, em Curitiba, em junho do ano passado.
Freitas é alvo por episódios ocorridos durante o protesto. Conforme as denúncias, o parlamentar teria proferido ofensas e palavras de baixo calão dirigidas a funcionários e clientes do estabelecimento. Em imagens analisadas pela comissão, ele aparece discutindo com uma cliente e, segundo os autores da representação, chega a arrancar uma cesta de compras de suas mãos, atitude classificada como “desrespeitosa”.
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O parlamentar deixou a sessão após ser ouvido Ronaldo Boschen, pai de Rodrigo. Cerca de 30 segundos após as falas do pai, Freitas disse ‘Palhaçada’ e abandonou a sessão.
Assista ao vídeo do momento em que Freitas deixa a sessão:
Começo das oitivas
A sessão desta semana marcou a fase de oitivas de testemunhas da defesa. Segundo o presidente do Conselho de Ética, o delegado Delegado Jacovós, foram ouvidas cinco testemunhas indicadas pelo deputado. Ainda de acordo com ele, novos requerimentos apresentados pela defesa para outras diligências foram deferidos.
“O processo segue em fase de instrução. Como dependemos de respostas do Tribunal de Justiça, não há como fixar um prazo, mas acreditamos que em cerca de dez dias essas diligências possam ser concluídas”, afirmou Jacovós. Ele ressaltou que o Conselho não julga o assassinato de Rodrigo Boschen, mas exclusivamente a conduta atribuída ao parlamentar durante a manifestação.

O presidente do colegiado também criticou o comportamento de Freitas durante a audiência. Segundo Jacovós, o deputado, mesmo na condição de representado, teria ofendido membros da comissão ao deixar a sessão, atitude que poderá ser avaliada no decorrer do processo. “Estamos tratando de um fato gravíssimo, mas em outra esfera. No Conselho, analisa-se apenas a conduta parlamentar”, reforçou.
Manifestação popular
A defesa de Renato Freitas, representada pelo advogado Edson Vieira Abdala, avaliou a audiência de forma positiva. Segundo ele, o ato investigado foi uma manifestação popular organizada por movimentos sociais em protesto contra um “assassinato covarde”. Abdala afirmou que os envolvidos na morte já estão presos e respondem à Justiça e criticou o foco do processo disciplinar. “Invertem-se os valores ao discutir pegar uma cesta de supermercado em vez da dignidade da vítima, um jovem pobre e periférico”, declarou.
Abdala relembrou que Freitas perdeu o pai e o irmão assassinados e afirmou que o parlamentar não teria condições emocionais de permanecer em uma sessão que discutia detalhes burocráticos enquanto se falava do assassinato de um jovem.

“Freitas tem o recorde mundial de representações em um Conselho de Ética diante de uma assembleia brasileira. Desde que ela foi constituída, quantos responderam, quantos foram arquivados e quantos estão em apuração? A pauta é só do Freitas, preto e periférico, que luta para buscar justiça a pessoal vulneráveis. Aos demais, que cometeram crimes mais graves, nada é feito. Enfrentaremos todos os processos e ganharemos todos os processos”, concluiu.