
- Atualizado há 48 segundos
Um morador de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, que ficou paraplégico após sofrer uma grave queda começou um novo capítulo em sua recuperação. João Luiz Miquelini, de 70 anos, tornou-se o primeiro paciente a receber a aplicação da polilaminina no Hospital do Trabalhador (HT), em Curitiba, tratamento experimental que busca regenerar conexões nervosas após lesões na medula espinhal.
O aposentado sofreu uma queda em dezembro de 2025, de aproximadamente três metros de altura, que resultou em uma fratura grave na coluna e perda de movimentos abaixo da cintura. Desde então, ele passou por cirurgia e processo de reabilitação, até chegar ao momento da aplicação do composto experimental.
Para receber as principais informações do dia pelo WhatsApp entre no grupo do Portal Nosso Dia clicando aqui
“Eu agradeço a Deus pela oportunidade. A esperança é muito grande de andar de novo e esticar as pernas. Foi difícil, porque se a gente não tivesse a família para apoiar, a gente não aguentaria. É um grande passo e agradeço essa oportunidade. Tenho fé que tudo vai dar certo”, afirmou João Luiz.
Cirurgia e estabilização da coluna
O cirurgião de coluna do Hospital do Trabalhador, Pedro Grein Santoro, explicou que o paciente chegou ao hospital após sofrer uma queda significativa, que provocou uma fratura com deslocamento da coluna e lesão na medula espinhal.
“Ele sofreu uma queda de cerca de quatro metros e deu entrada no Hospital do Trabalhador. Identificamos uma fratura em que a coluna deslocou e acabou lesionando a medula, que é responsável por levar as informações para o restante do corpo”, explicou o médico.
Segundo o especialista, no dia seguinte ao acidente foi realizada uma cirurgia para estabilizar a coluna. “Na manhã seguinte colocamos a coluna no lugar, com parafusos e hastes para manter a estrutura estabilizada. O procedimento ocorreu bem, ele foi encaminhado à UTI e depois transferido para o Hospital de Reabilitação, onde iniciou o processo de adaptação, como aprender a utilizar a cadeira de rodas”, detalhou.
O médico destaca que, para receber o tratamento experimental, é necessário que a lesão esteja estável. “É preciso uma lesão estabilizada para que seja possível realizar a aplicação da polilaminina”, completou.
Tratamento experimental
O médico e pesquisador Arthur Luiz Freitas Forte, que atua nos estudos sobre a polilaminina, explica que o tratamento é aplicado diretamente na região da lesão medular e ocorre dentro do chamado “uso compassivo” Após a fase burocrática, a equipe realiza a aplicação diretamente sobre a lesão medular. Estudamos com a equipe e identificamos o melhor ponto para a aplicação”, explicou.
Ele ressalta que o uso compassivo é autorizado quando não existem outras alternativas de tratamento. “O termo vem de compaixão. É quando não há mais nada a ser feito pelo paciente e se permite o uso experimental, quando não há perspectiva de melhora. Fui convidado justamente para atender essa demanda crescente pelo uso compassivo”, disse.
No Paraná, já foram realizadas sete aplicações da polilaminina. Em todo o Brasil, cerca de 30 pacientes receberam o tratamento experimental.
Esperança para a família
Para a filha do paciente, Viviane Miquelini, estudante de Odontologia, a aplicação representa uma nova esperança para a recuperação do pai. “A gente está bem esperançosa. Não vai demorar muito para termos boas notícias. Não foi por acaso que ele conseguiu essa oportunidade. Com o apoio da família, dos médicos e de todos que estiveram ao nosso lado nesses 75 dias, seguimos firmes”, afirmou.
Ela também destacou os desafios enfrentados por pessoas que passam a depender de cadeira de rodas. “É uma luta, porque quando falamos de cadeirante existe muito esforço e muitas dificuldades. Não é simplesmente ficar sentado numa cadeira. A gente sabe que pode dar certo ou pode não dar, mas tentamos”, disse.
O que é a polilaminina
A polilaminina é um composto experimental brasileiro derivado da laminina, proteína presente na placenta. O material foi desenvolvido para atuar na regeneração de nervos após lesões na medula espinhal.
Na prática, a substância funciona como uma espécie de “andaime biológico”, facilitando o crescimento e a reconexão de fibras nervosas danificadas. A tecnologia ainda está em fase de pesquisa clínica e não possui aprovação definitiva da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso amplo.
Mesmo assim, o tratamento tem despertado esperança em pacientes paraplégicos e tetraplégicos que buscam novas possibilidades de recuperação.