
- Atualizado há 17 horas
O corpo do menino Oliver Golden Grayson, de 3 anos, continua no Instituto Médico Legal (IML) nove dias após a confirmação de sua morte, em 8 de junho. O pai dele, o missionário americano Dandre Jermaine Grayson, de 33 anos, que está preso, confessou as agressões ocorridas em 5 de junho que resultaram na morte do menino, em Viamão, na região metropolitana de Porto Alegre. A defesa de Dandre não foi localizada pelo Estadão. O espaço segue aberto.
Para receber as principais informações do dia pelo WhatsApp entre no grupo do Portal Nosso Dia clicando aqui
Após um pedido da defesa da mãe de Oliver, Mayanna Rodgers, que também está presa preventivamente, a Justiça deu prazo de 48 horas para que o IML informe se há alguma perícia pendente ou se o corpo pode ser liberado para o sepultamento. A decisão do juiz Guilherme Pires Mitidiero, da 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri de Viamão, é da tarde desta sexta-feira, 17.
Em um ofício encaminhado à Justiça, na quarta-feira, 15, a direção do Presídio Estadual Feminino Madre Pelletier, em Porto Alegre, afirmou que não havia recebido nenhuma solicitação da Polícia Civil “para realização de qualquer procedimento envolvendo a vítima”, como o reconhecimento do corpo do menino. O Estadão tenta contato com a polícia.
Segundo a defesa da mãe de Oliver, outra pessoa da família poderia fazer o procedimento de liberação no IML, porém todos moram nos Estados Unidos e não conheciam a criança. No Brasil, moravam apenas os pais, a criança e outros quatro irmãos – que também são filhos do casal e estão em uma instituição de acolhimento.
No ofício, a diretora do presídio, Sabrina Varoni Nunes, também se manifestou contrária à ida da mãe ao velório e sepultamento do menino, ainda sem data definida. “Tal decisão baseia-se no fato de que a custodiada possui envolvimento em crime de grande repercussão social, circunstância que potencializa ameaças à sua integridade física, à segurança da equipe de escolta e à ordem pública, caso autorizada a saída extraordinária”, afirmou.
Os riscos apontados pela diretora também levaram à transferência da mulher para a Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba. Ela está presa pela acusação de omissão na morte do filho. Em depoimento, o marido afirmou que ela estaria em outro cômodo no momento das agressões e não teria presenciado o crime. A polícia investiga a suspeita de participação direta dela.
Defesa critica veto à ida ao enterro
A defesa de Mayanna, representada pelos advogados André von Berg, Isabel Cochlar e Juliana Braun Martins, alega que impedir a mãe de ir ao enterro do filho desconsideraria garantias fundamentais e imporiam uma punição antecipada a ela, a quem afirmam ser “vítima de um histórico severo de violência doméstica e cárcere privado imposto pelo marido”.
“Queremos registrar que os direitos constitucionais dela estão sendo desconsiderados. Ela é uma mãe cujo corpo do filho está no Instituto Médico Legal”, afirma a advogada Isabel. “A comoção popular não afasta o direito de Oliver de ter a sua mãe no momento em que for enterrado. Da mesma forma, não afasta o direito de Mayanna, que não tem condenação contra si, apenas uma acusação, de estar no momento final de seu filho”, explica.
Os advogados também criticam o argumento de falta de segurança para vetar a escolta da mulher. Segundo eles, cabe ao Estado garantir a viabilidade da escolta e a integridade de todos os envolvidos, “em vez de utilizar a própria incapacidade de garantir a segurança pública para restringir o direito ao luto”
Relembre o caso
O pai do menino, Dandre Jermaine Grayson, que já havia sido alvo de investigações por suspeitas de maus-tratos contra os filhos em São Paulo e em Santa Catarina, disse à polícia que agrediu o filho após ele se recusar a lhe dar “bom dia”. Ele afirmou ainda ter desferido socos no peito e no abdômen de Oliver, além de ter batido com a cabeça do menino contra o chão.
“Foram agressões brutais. A criança estava com muitas marcas”, disse ao Estadão a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, responsável pela investigação. O homem deve responder por homicídio duplamente qualificado. O garoto morreu depois de três dias internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).