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Nilson Müller, artista que modernizou o personagem Zequinha, morre aos 85 anos

Curitibano, Nilson iniciou sua trajetória artística ainda criança, copiando revistas em quadrinhos, e construiu uma carreira decisiva para a consolidação da ilustração, da cenografia e das narrativas gráficas no Estado
Foto: Anderson Tozato/SEEC
Curitibano, Nilson iniciou sua trajetória artística ainda criança, copiando revistas em quadrinhos, e construiu uma carreira decisiva para a consolidação da ilustração, da cenografia e das narrativas gráficas no Estado

Redação*

05/01/26
às
13:31

- Atualizado há 2 dias

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A cultura paranaense se despediu, nesta segunda-feira (5), de Nilson Waldir Müller (1941–2026), artista plástico, ilustrador, escultor e cenógrafo que marcou de forma profunda as artes visuais do Paraná ao modernizar o personagem Zequinha, um ícone da cultura paranaense. Curitibano, Nilson iniciou sua trajetória artística ainda criança, copiando revistas em quadrinhos, e construiu uma carreira decisiva para a consolidação da ilustração, da cenografia e das narrativas gráficas no Estado.

Aos 12 anos, conheceu Guido Viaro no Centro Juvenil de Artes Plásticas, experiência que o levou a cursar a Faculdade de Belas Artes, onde teve formação em desenho, pintura, xilogravura e modelagem, com mestres como Osvaldo Lopes. Ainda jovem, recebeu orientação de Thorsten Andersen, filho de Alfredo Andersen, e teve trabalhos reconhecidos em importantes salões artísticos do Paraná, entre eles o Salão dos Novos, da Biblioteca Pública do Paraná.

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Aos 16 anos, profissionalizou-se e tornou-se o primeiro cenógrafo de televisão do Paraná, abrindo caminhos para a linguagem visual no meio televisivo local. Ao longo de sua extensa carreira, atuou intensamente na ilustração publicitária e editorial, na pintura e na criação de personagens que se tornaram parte da identidade cultural paranaense.

Apaixonado por histórias em quadrinhos, teve sua trajetória reconhecida com prêmios no Salão Paranaense, no Salão dos Novos da Biblioteca Pública do Paraná, no Salão do Santa Mônica Clube de Campo e com o Prêmio Qualidade Brasil. 

“Nilson Müller deixa um legado essencial para a história da arte, da ilustração e das narrativas gráficas no Paraná, com uma obra que segue inspirando artistas, leitores e públicos de diversas gerações”, afirmou a secretária de Estado da Cultura, Luciana Casagrande Pereira. “Ele foi responsável por moldar grande parte da nossa identidade curitibana e paranaense através da sua iconografia e talento ímpares”. 

ZEQUINHA – Quem cresceu no Paraná no final dos anos 1970 e início dos anos 1980 certamente se lembra do Zequinha: um senhor careca, risonho, de gravata-borboleta e maquiagem de palhaço, que nas figurinhas aparecia em diversas situações e atividades do cotidiano. Criado originalmente em 1928 para ajudar a vender balas produzidas pela fábrica dos irmãos Sobania, poloneses radicados em Curitiba, o personagem tornou-se um ícone da cultura paranaense.

Inspirado em um palhaço paulista, o Zequinha foi desenhado inicialmente por Alberto Thiele e Paulo Carlos Rohrbach. Décadas depois, seu resgate foi feito pelo Governo do Estado do Paraná, em uma campanha de incentivo ao recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS), que marcou gerações.

Nilson Müller teve contato com o personagem ainda na infância. Mais tarde, em 1979, foi o próprio Müller quem ficou responsável por redesenhar e modernizar o Zequinha para o álbum de figurinhas Clube do Zequinha. Na época, era desenhista comercial e trabalhava para diversas agências de Curitiba. Quando o governo do Estado abriu a licitação, três agências o contrataram para fazer os estudos do personagem. 

O álbum e as figurinhas podiam ser trocados por notas fiscais, tornando-se um marco da memória afetiva e cultural de gerações de paranaenses. Em 2021, durante o mês de aniversário de Curitiba, o Zequinha foi novamente relançado, com novas ilustrações assinadas por Nilson Müller. Nessa edição, o personagem apareceu retratado em 200 atividades diferentes, além de oito figurinhas especiais, traduzindo sua atualidade e força simbólica.

A relação de Nilson Müller com os equipamentos culturais do Paraná atravessa toda a sua trajetória. Além de sua formação no Centro Juvenil de Artes Plásticas e Museu Alfredo Andersen, alguns dos cenários em que o Zequinha aparece nas figurinhas são marcos culturais, como o Museu Oscar Niemeyer, o Museu Paranaense e o próprio Museu Casa Alfredo Andersen.

Desenhar o Zequinha no Museu Casa Alfredo Andersen tinha, para Müller, um significado especial. “Eu morava a uma quadra da Casa Alfredo Andersen e fazia entregas para a mercearia do meu pai. Um dia passei em frente à Casa, vi um quadro a óleo e fiquei louco. Depois fiquei sabendo que lá tinha um grupo de pessoas que se reunia para pintar”, recordou Müller em entrevista para a Secretaria de Estado da Cultura, em 2021.

“O Thorsten, filho de Alfredo Andersen, via que nós éramos dedicados e dava a máxima atenção, ensinava a observar, a fazer os traços com segurança. Isso marcou a gente. Por isso comecei a ser profissional desde cedo”, completou.

“Zequinha ultrapassa o campo da ilustração e se torna um símbolo de identidade, de memória afetiva e também de um destaque ao cotidiano. Manifestamos nossa solidariedade, Nilson sempre estará em nossos corações, e o Zequinha, mais do que nunca, sempre estará presente em nossas memórias”, registrou o diretor do Complexo Alfredo Andersen, Luiz Gustavo Vidal.

*Com informações da AEN

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