
- Atualizado há 2 dias
A vereadora Miss Preta (PT) registrou boletim de ocorrência contra três parlamentares da Câmara Municipal de Pinhais, cidade da Região Metropolitana de Curitiba, na última quarta-feira (13). A parlamentar denuncia que sofreu preconceito e violência política de gênero em diferentes ocasiões dentro do Plenário. Em uma delas, ela foi acusada por uma colega branca de ser eleita por “cota”.
A parlamentar compartilhou a situação por meio de um vídeo em suas redes sociais. “O que está acontecendo comigo na Câmara já passou de uma esfera política, está entrando em uma esfera criminal”, afirmou a vereadora, em frente a Delegacia da Polícia Civil do Paraná (PCPR) de Pinhais. (Assista ao vídeo mais abaixo)
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Na gravação, Miss Preta expõe o momento em que foi chamada de “descarada” pelo vereador Tielo Staes (Republicanos), na sessão da última terça-feira (17). Ela afirma que ataques vindos do mesmo vereador já foram registrados anteriormente, em um deles, ele se refere a ela como “parlamentar mentirosa”.
Durante a mesma sessão, a vereadora Jane Carteira (Solidariedade), insinuou que a parlamentar foi eleita por meio de cota. “Eu entrei aqui por votos, não por cota”, disse. Na sessão do dia seguinte (18), Jane Carteira se retratou na tribuna, afirmando que queria dizer que Miss Preta foi eleita na sobra eleitoral. “Eu só me dirigi à tribuna para corrigir a minha fala a vereadora. A vereadora foi eleita na sobra, e eu fui eleita por voto e legenda.” Miss Preta foi a vereadora mais votada na história do município de Pinhais nas eleições municipais de 2024, ela recebeu 1.608 votos.
A terceira denúncia envolve o presidente da Câmara, Anderson Pioco (PSD). A parlamentar afirma que foi a única vereadora impedida de falar durante o lançamento da Galeria Lilás, memorial que destaca trajetória das mulheres que atuaram na política do município, mesmo sendo co-autora do projeto.
Ao final, a vereadora afirma que situações como essa não podem continuar acontecendo. “Toda vez que atacarem a minha honra, o meu mandato, eu vou sim fazer um boletim de ocorrência”, finalizou.
Defesa
Em nota, a direção nacional do Solidariedade reafirmou que repudia declarações e condutas que reproduzam discriminação racial no exercício da vida pública, e não compactua com discursos que deslegitimem políticas de inclusão ou que atentem contra a dignidade de mulheres,
especialmente mulheres negras . “Episódios recentes envolvendo uma vereadora do partido em Pinhais (PR) vão na contramão dos valores que defendemos enquanto instituição.”
O partido afirma que defende uma democracia plural, diversa e representativa, e reconhece a importância das ações afirmativas no enfrentamento das desigualdades, e que a política de cotas são instrumentos legítimos de correção de desigualdades históricas. “Nesse sentido, consideramos que a vereadora possa não ter seexpressado da melhor forma, uma vez que a própria participação feminina na política também é fortalecida por mecanismos como a cota de gênero.”
O Portal Nosso Dia entrou em contato com a Câmara Municipal de Pinhais, mas não obteve retorno. O espaço permanece aberto para a manifestação dos vereadores citados na reportagem.