
- Atualizado há 4 anos
Moradores de bairros de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, realizaram uma manifestação na tarde deste sábado (16) em frente ao aterro sanitário da Estre Ambiental, localizado no bairro Santa Terezinha, onde um trabalhador morreu após um deslizamento de lixo no fim de junho. Eles alegam que o cheiro ruim sempre foi um problema, mas desde quando a tragédia aconteceu se tornou insuportável e que as medidas tomadas até aqui não foram suficientes.
Cerca de 100 pessoas ser reuniram em frente ao aterro, com a presença de um caminhão de som, onde falaram palavras de ordem pedindo por uma solução. “O principal motivo da manifestação é porque chegamos a uma situação que não dá mais para aguentar e sequer ficar dentro de casa. A Prefeitura de Fazenda Rio Grande precisa cobrar e fiscalizar mais. O pessoal não está conseguindo nem comer dentro de casa. É um problema antigo, mas que agora se tornou insuportável”, disse ao Nosso Dia o morador Elias Reis, um dos organizadores da manifestação, que vive no bairro Santa Terezinha desde 2008.

A moradora Cristiana Rodrigues Pedrosa, do bairro Iguaçu II, afirmou que o que tem mais incomodado é o não direito de respirar. “Chega muito forte o cheiro, a gente não consegue suportar. Antes era tranquilo e agora está insuportável. A gente se sente lesado, porque acreditou na região e de repente acontece isso. É uma questão de saúde pública. Só queremos ter o direito de respirar e queremos uma resposta de verdade, uma solução”, afirmou.
O empresário Jonas Roberto Pedrosa, que há 40 anos mora em Fazenda Rio Grande, falou ao Nosso Dia que a situação está vergonhosa. “A gente tem comércio antigo e gera emprego, para ver esse tipo de situação. Eu posso morar em outro lugar, mas quem não pode? Você tem que fechar a janela para receber visitas. Eu vi essa cidade crescer e agora está acontecendo isso. Falaram que não ia ter mau cheiro e agora está essa desgraça”, lamentou.
Outra reclamação dos moradores é com relação a barulhos excessivos por parte da empresa no período da manhã. Eles alegam que a a entrada e saída dos caminhões não cumpre horário pré-determinado. “É 5 horas da manhã e os caminhões começam a patinar e faz muito barulho”, disse um homem que estava no protesto.
Resposta
O relato do mau cheiro acontece no bairro Santa Terezinha e também em outros do município. A Estre, empresa que administra o aterro, afirmou que tem realizado a irrigação com drones de alta capacidade, comuns em lavouras, jogando um oposto inibidor de odores sobre o lixo exposto e também nas áreas próximas. As aplicações devem acontecer novamente na segunda e na quarta-feira.
A empresa ainda informou que devido ao deslizamento a empresa recebeu, no último dia 4, o projeto de reconformação da área impactada e iniciou as atividades, que é o refazimento dos taludes de resíduos. Não há uma data para o término do serviço, o que preocupa ainda mais os moradores.
O organizador da manifestação, Elias Reis, disse que só isso não é suficiente. “Achamos que tem que abrir um comitê de crise e chamar a população. Queremos até uma investigação na Câmara Municipal, porque as medidas tomadas pela empresa não são suficientes. Nós estamos, inclusive, fazendo um abaixo-assinado para que esse aterro, que na verdade é um lixão, seja interditado”, afirmou.

A reportagem também entrou em contato com a Prefeitura de Fazenda Rio Grande e aguarda um retorno.
Confira nota na íntegra enviada pela Estre:
Em resposta às demandas da sociedade e órgãos públicos, a Estre esclarece que tem mobilizado drones de alta capacidade de irrigação, comuns na lavoura, para jogar um composto inibidor de odores sobre o lixo exposto e também nas áreas adjacentes ao aterro sanitário. As próximas aplicações estão programadas para as seguintes datas: 15, 18 e 21 de julho de 2022, três vezes ao dia (às 7h, 13h e 17h).
A empresa reitera que o laudo preliminar elaborado pela perícia externa, contendo um primeiro diagnóstico geotécnico do ocorrido, indicou como provável causa a conjunção de três fatores: (1) chuvas intensas e acima do padrão observadas em junho; (2) o acúmulo de gases pela contração e umidificação das coberturas das camadas superiores; e (3) recalque diferencial (afundamento) por aumento de peso dos resíduos devido ao fluxo de água no interior do maciço (lixiviação), potencializado no centro desse flanco.
As medidas imediatas de contenção do impacto desse deslizamento de resíduos na face oeste do aterro estão sendo adotadas desde o dia 28/06.
São elas:
• Manutenção das operações na face leste (o que já vinha sendo feito dias antes do deslizamento). A área do deslizamento permaneceu bloqueada para perícia da polícia civil até o dia 28/06.
• Entre 28/06 e 03/07 foi construído um dique de contenção da área impactada.
• Entre os dias 26/06 e 27/06 foi realizada a sucção do chorume utilizando caminhões vácuo e uma nova linha de tratamento de chorume foi reestabelecida contornando a área do deslizamento.
• A partir de 29/06 a Estre começou a combater o odor causado pelo resíduo exposto.
• Em 04/07 a Estre recebeu o projeto de reconformação da área impactada e iniciou as atividades de reconformação, que é o refazimento dos taludes de resíduos.
• A Estre está desenvolvendo os projetos de remediação do entorno e reconformação do maciço. Entretanto, qualquer operação somente será executada existindo total garantia da segurança dos funcionários que estarão envolvidos.
Os colaboradores da companhia estão trabalhando 24 horas por dia para sanar a situação.