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‘Mulher deveria ser proibido’: delegada é alvo de ataques machistas após comemorar posse

delegada passou a ser alvo de discriminação e injúrias após compartilhar a conquista profissional, alcançada depois de quatro anos e meio de preparação para concursos públicos
A delegada Raphaela Natali Cardoso, durante sua posse. Foto: Reprodução/Instagram/@raphaelacardoso_
delegada passou a ser alvo de discriminação e injúrias após compartilhar a conquista profissional, alcançada depois de quatro anos e meio de preparação para concursos públicos

Estadão Conteúdo

12/01/26
às
13:17

- Atualizado há 8 segundos

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Uma foto publicada para comemorar a posse de Raphaela Natali Cardoso, de 31 anos, como delegada da Polícia Civil de São Paulo desencadeou uma onda de ataques misóginos nas redes sociais. A delegada passou a ser alvo de discriminação e injúrias após compartilhar a conquista profissional, alcançada depois de quatro anos e meio de preparação para concursos públicos. A Polícia Civil do Estado investiga o caso.

“O que era pra ser a celebração começou a ter uma repercussão muito diferente e inesperada”, afirmou Raphaela em um vídeo divulgado em suas redes.

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As ofensas foram publicadas por perfis ainda não identificados pelas autoridades e incluíam mensagens de cunho ofensivo e sexista. Entre os comentários, estavam frases como “Delegado, juiz e qualquer cargo de justiça: mulher deveria ser proibido” e “Seria mais relevante se estivesse parindo menino”.

Houve ainda ataques de caráter pessoal, com insinuações sobre a vida privada e a saúde mental da delegada. “Ai é complicado, imagina o tanto de dilemas mentais essa mulher deve ter” dizia um dos comentários, outro afirmou “Pra chegar solteira aos 30, espero que ela aprenda a lidar com o PCC melhor do que lidou com homens”.

Segundo o boletim de ocorrência, os comentários foram classificados como discriminatórios. O caso foi registrado por meio da Delegacia Eletrônica como prática de discriminação e injúria e encaminhado ao 51º Distrito Policial (Rio Pequeno), responsável pela apuração.

“Esse tipo de coisa tem nome: misoginia. Essas pessoas têm aversão à mulher. Tudo o que as mulheres fazem ou os espaços que ocupam é tratado como um absurdo”, declarou Raphaela. Ela afirmou ainda que ataques não irão desencorajar mulheres que desejam ocupar posições de poder no setor público.

“Esse discurso faz exatamente o efeito reverso, a gente vai ocupar espaços, posições de poder porque a gente quer e porque a gente pode. Nós mulheres somos competentes e capazes, tal qual os homens, isso é inquestionável”, disse.

Com a repercussão do caso, o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) lançou a campanha #LugarDeMulherÉOndeElaQuiser em defesa das mulheres em cargos de poder.

O deputado federal delegado Bruno Lima (PP) informou, em publicação na rede social X, que protocolou um requerimento de Moção de Repúdio contra os ataques direcionados à Raphaela. “Não é 1opinião1. É violência e tentativa de deslegitimar mulheres que ocupam, com competência e preparo, espaços de decisão na Segurança Pública e em todo o sistema de Justiça”, disse.

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