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O Paraná tem hoje mais de 2 milhões de pessoas idosas, o que representa 17,6% da população. O envelhecimento acelerado impõe desafios crescentes à saúde pública — e um dos principais deles são as quedas, que geram internações, fraturas graves e aumento da mortalidade.
Dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) mostram que o Estado registrou 13.077 internações de idosos por quedas no ano passado. As mulheres concentram a maior parte dos casos, com 8.021 registros, enquanto os homens somaram 5.056.
A gravidade dos acidentes se reflete também no número de mortes: foram 412 óbitos no período, sendo 226 entre pessoas com mais de 80 anos — faixa etária que concentra cerca de 50% das ocorrências.
Diante desse cenário, a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) reforça que a maioria das quedas pode ser evitada com medidas simples de prevenção.
“As quedas não podem ser tratadas como acidentes isolados, mas como um evento comum e, muitas vezes, evitável. É uma questão de saúde pública com impacto direto na qualidade de vida, na independência e na sobrecarga dos serviços de saúde”, afirmou o secretário estadual da Saúde, Beto Preto. Segundo ele, a prevenção envolve familiares, cuidadores, profissionais de saúde, gestores públicos e os próprios idosos.
Em Curitiba, o Hospital do Trabalhador (HT) é referência no atendimento a traumas e recebe diariamente idosos vítimas de quedas. A unidade adota protocolo específico para fraturas, com meta de realizar a cirurgia em até 48 horas, o que aumenta significativamente a sobrevida.
O ortopedista Bruno Schuta Bodanese, especialista em cirurgia do quadril do HT e gerente técnico do Centro Hospitalar de Reabilitação Ana Carolina Moura Xavier (CHR), explica que a rapidez é decisiva. “A partir de 48 horas, o efeito na mortalidade aumenta. No dia seguinte à cirurgia, o paciente já começa a sentar, fazer exercícios e andar”, destacou.
Após a alta hospitalar, todos os pacientes operados são encaminhados ao CHR para fisioterapia. O período de recuperação varia de três a seis meses, conforme o quadro clínico.
Um fator que aumenta a gravidade das quedas é a osteoporose, doença caracterizada pela perda progressiva de massa óssea. Estimativa do Ministério da Saúde aponta que 50% das mulheres e 20% dos homens com 50 anos ou mais terão ao menos uma fratura osteoporótica ao longo da vida.
Em idosos com ossos fragilizados, uma queda simples pode resultar em fratura de fêmur, condição associada a altas taxas de mortalidade e perda de autonomia.
A prevenção é multifatorial. A Sesa recomenda prática regular de exercícios físicos para fortalecimento muscular e equilíbrio, revisão periódica de medicamentos e alimentação rica em cálcio, além de exposição solar moderada para produção de vitamina D.
No ambiente doméstico, medidas simples reduzem riscos: instalação de barras de apoio, melhoria da iluminação, retirada de tapetes soltos e eliminação de obstáculos.
O SUS disponibiliza medicamentos para tratamento da osteoporose e acompanhamento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). No último ano, o Paraná registrou aumento de 165,54% no número de idosos avaliados pelas equipes de saúde.
A Sesa também desenvolve ações permanentes dentro do projeto Envelhecer com Saúde no Paraná, que inclui capacitação de profissionais e materiais de orientação para famílias e cuidadores. Entre as ferramentas está o Manual de Prevenção de Quedas para Idosos, elaborado em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), com orientações práticas para adaptação do ambiente doméstico.
Com uma população idosa crescente, o desafio do Paraná é transformar prevenção em rotina — reduzindo internações, preservando a autonomia e garantindo um envelhecimento mais seguro e saudável.