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Maior devedor do ‘free flow’ passou mais de 5 mil vezes por pedágio e pagou só 54 tarifas

Segundo levantamento da ABCR, apenas 20 motoristas passaram quase 46 mil vezes por pórticos free flow sem pagar até janeiro deste ano
Segundo levantamento da ABCR, apenas 20 motoristas passaram quase 46 mil vezes por pórticos free flow sem pagar até janeiro deste ano

Estadão Conteúdo

27/03/26
às
8:36

- Atualizado há 7 segundos

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Um único motorista passou pelo sistema free flow 5.025 vezes e pagou apenas 54 tarifas, conforme estudo da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), apresentado pelo presidente da entidade, Marco Aurélio Barcelos, na terça-feira, 24. A apresentação foi realizada em audiência pública na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados.

O presidente da ABCR destacou ainda que um grupo de 20 motoristas passaram quase 46 mil vezes em pórticos free flow sem pagar no Brasil, desde a implementação do sistema em 2023 até janeiro deste ano.

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A audiência foi realizada após pedido do deputado federal Hugo Leal (PSD-RJ) que cobra uma solução sobre as multas aplicadas a motoristas que não entendem como funciona a cobrança do pedágio eletrônico. Conforme o parlamentar, o sistema já gerou mais de 1,5 milhão de multas no Rio de Janeiro após a sua implementação.

“O ministro disse que as multas deveriam ser suspensas. Mas a agência ainda não resolveu a situação. O sistema foi implantado em 2023 e, até agora, não há definição sobre o passivo”, disse, referindo-se ao ministro dos Transportes, Renan Filho, que, em reunião na Câmara, disse que as multas aplicadas durante a fase experimental seriam suspensas.

Leal mostrou relatos de motoristas que não entenderam como devem realizar o pagamento do free flow, acumulando multas sem saber como quitá-las.

Para Marco Aurélio, da ABCR, o argumento não se aplica a todos que passam pelo pórtico automático. Ele defende que o brasileiro entendeu o sistema free flow e os números de infrações são inflacionados por usuários que não pretendem pagar as tarifas – a exemplo do motorista que passou 5.025 vezes por pórticos, realizando o pagamento corretamente apenas 54 vezes.

“Nós precisamos separar o joio do trigo”, reforçou o presidente da associação, referindo-se a diferenciar os usuários que querem pagar e não conseguiram daqueles que passaram pelo pórtico com a intenção de não quitar a tarifa.

Para resolver essas falhas, o governo pretende reunir todas as informações sobre o pedágio free flow na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Marco Aurélio também destacou durante sua apresentação que o brasileiro é um bom pagador. A taxa de inadimplência no País é de 9,56%, semelhante à de países com o sistema de pedágios free flow já estabelecido, como Chile e Portugal, onde a inadimplência gira em torno de 7%, afirmou.

“Para quem tem um modelo ainda incipiente e realizado sob o contexto de uma experimentação regulatória, metodologicamente controlada, regulatoriamente chancelada, nós andamos bem”, disse o presidente da ABCR.

O que é o free flow?

O sistema de pedágio denominado free flow é uma inovação tecnológica que permite que os veículos passem por uma rodovia e sejam tarifados sem precisar parar.

São escolhidos alguns pontos na rodovia para a instalação de dispositivos de detecção, identificação e classificação de veículos, conhecidos como pórticos. Eles têm câmeras, sensores e/ou leitores de placas.

Esses pórticos, equipados com a tecnologia, identificam e classificam os veículos e depois determinam eletronicamente qual tarifa deverá ser paga. Os clientes equipados com tags recebem a cobrança em suas faturas, sem se preocupar.

Por outro lado, clientes sem tag precisam pagar a tarifa manualmente em até 15 dias após a passagem pelo pórtico, nos canais oferecidos pela concessionária. O não pagamento acarreta multas e penalidades para o motorista. / COM INFORMAÇÕES DA AGÊNCIA SENADO

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