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De Alto Paraíso, no Noroeste do Paraná, para Beaconsfield, na Austrália, são mais de 13 mil quilômetros de distância. Foi esse o salto — geográfico e pessoal — que o jovem paranaense Luiz Fernando Souza de Andrade deu aos 15 anos, ao participar do programa Ganhando o Mundo, da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR).
Dois anos depois, a experiência internacional se soma a uma conquista ainda mais emblemática: a aprovação em primeiro lugar em medicina na Universidade Estadual do Oeste do Paraná e também na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, um dos cursos mais concorridos do País. Hoje com 17 anos, Luiz encerrou o Ensino Médio já com matrícula garantida no ensino superior.
Pela Unioeste, ele conquistou o 1º lugar por meio do programa Aprova Mais Universidades, parceria entre a Seed-PR e a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). Já na UFMS, foi o primeiro colocado no processo seletivo seriado, que avalia o desempenho ao longo dos três anos do Ensino Médio.
“Meu foco sempre foi entrar em uma universidade pública, mas não esperava passar direto agora. Foi uma surpresa enorme”, afirma.
O desejo de cursar medicina surgiu cedo. Aos cinco anos, após fraturar a clavícula e precisar ser atendido em um hospital fora da cidade, Luiz teve o primeiro contato marcante com a profissão.
“Lembro do médico, da forma como fui atendido. Acho que foi ali que nasceu essa vontade. Desde então, sempre disse que seria médico. Nunca considerei desistir.”
Filho de professora e de trabalhador rural, ele sempre estudou em escola pública. Ainda no 2º ano do Ensino Médio, foi aprovado em 5º lugar em Engenharia Civil na Universidade Tecnológica Federal do Paraná, com a nota do Enem, resultado que lhe garantiu bolsa de estudos em Umuarama.
Mesmo com a aprovação em outro curso, manteve o foco em Medicina.
A rotina foi marcada por disciplina rigorosa. Pela manhã, frequentava o Ensino Médio; à tarde, estudava de forma autônoma por cerca de quatro horas; à noite, fazia cursinho. Aos sábados, participava de simulados; aos domingos, revisava erros e reforçava conteúdos.
“Eu resolvia em média 70 exercícios por dia, mas sempre focando na qualidade, não apenas na quantidade”, explica.
Após o intercâmbio em 2024, voltou ainda mais determinado. Para ele, a experiência internacional foi um divisor de águas.
“Aprendi a lidar com adversidades, a resolver problemas sozinho e a confiar mais em mim. Desenvolvi meu inglês e amadureci muito.”
Entre as duas aprovações, Luiz escolheu a Unioeste e vai se mudar para o campus de Francisco Beltrão. A mudança representa mais um passo importante: sair novamente da zona de conforto, agora para iniciar a graduação.
“Talvez exista um pouco de insegurança por ser tudo novo, mas estou muito feliz. É uma nova fase.”
A trajetória do jovem paranaense já inspira outros estudantes. Após sua participação no Ganhando o Mundo, aumentou o número de alunos de sua escola interessados no intercâmbio.
“Quis mostrar que, mesmo vindo de uma cidade pequena, é possível conquistar grandes oportunidades.”
Agora, o objetivo é viver intensamente a universidade, definir a especialidade no decorrer do curso e, no futuro, atuar também na saúde pública.
“Quero ser um profissional humanizado e fazer a diferença na vida das pessoas.”