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Jornalista Conrado Corsalette morre aos 47 anos em São Paulo

Ele ocupava atualmente o cargo de secretário de redação adjunto na sucursal de São Paulo do jornal digital Poder360, foi cofundador e editor-chefe do Nexo Jornal e editor de Política no Estadão de 2012 a 2015
(Foto: Divulgação)
Ele ocupava atualmente o cargo de secretário de redação adjunto na sucursal de São Paulo do jornal digital Poder360, foi cofundador e editor-chefe do Nexo Jornal e editor de Política no Estadão de 2012 a 2015

Estadão Conteúdo

08/01/26
às
16:10

- Atualizado há 20 segundos

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O jornalista Conrado Corsalette morreu na madrugada de quinta-feira, 8, aos 47 anos em São Paulo. Ele ocupava atualmente o cargo de secretário de redação adjunto na sucursal de São Paulo do jornal digital Poder360, foi cofundador e editor-chefe do Nexo Jornal e editor de Política no Estadão de 2012 a 2015.

Colegas, amigos e familiares lembram não apenas seu trabalho como jornalista dedicado e competente, mas da pessoa generosa e cativante, que fez amigos por todas as redações que passou. Ainda não há informações sobre data, horário e local do velório.

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Corsalette começou sua carreira como repórter no jornal Agora, onde se orgulhava de dizer que saía “para rua com sete pautas”. No jargão jornalístico, queria dizer que investigaria sete assuntos de uma só vez. Em seguida, no ano 2000, tornou-se repórter do Estadão, onde ficou até 2004 – voltou ao jornal em 2012 já como editor de Política.

Por sete anos, também trabalhou na Folha de S. Paulo e, em 2015, fundou com colegas o Nexo, projeto inovador de jornalismo digital independente, comandando a redação por quase uma década. Em 2023, lançou pela editora Fósforo o livro Uma crise chamada Brasil: a quebra da Nova República e a erupção da extrema direita. Corsalette era um pai dedicado e deixa duas filhas, Antonia, de 13 anos, e Dora, de 11 anos.

“Foi das pessoas mais generosas e justas que eu conheci. Um amigo muito alegre, cativante, entusiasmado com a vida e carismático. Era um agregador, estava sempre pensando nos amigos e tentando ajudar as pessoas. Um profissional com uma ética irrepreensível e um amigo muito delicado, amoroso e engraçado”, disse ao Estadão o poeta, primo e amigo, Fabrício Corsaletti.

O editor-executivo de distribuição, engajamento e vídeo do Estadão, Leonardo Cruz, que foi colega de Corsaletti na faculdade de jornalismo no fim dos anos 1990, lembra que ele era “um apaixonado”. “Entrava de cabeça e coração em todos os projetos em que se envolvia, fosse no programa de rádio que fizemos juntos ainda na Cásper Líbero, fosse no Nexo, jornal que conduziu desde a fundação até o fim de 2024. Um amigo de ouvido atento, de espírito brincalhão. E um profissional que nunca perdeu a humildade nem a vontade de aprender.”

A jornalista e âncora do Jornal da Globo, Renata Lo Prete, descreve o amigo como “um homem doce, afetuoso, solar, generoso nas palavras, nos gestos e nos sorrisos”. Renata chefiou Corsalette na seção Painel da Folha, onde se tornaram próximos. “Foi um ótimo jornalista e um extraordinário colega, ensinando todo dia que nosso ofício não precisa de mal-querer nem de agressividade para ser bem feito, mas de humildade, humanismo e respeito aos fatos e às pessoas”, disse.

A jornalista Vera Magalhães, de O Globo, que trabalhou com Corsalette durante a cobertura do caso do Mensalão na Folha, o definiu como “um parceiro de trabalho leal, brilhante, que vibrava com a notícia”.

“A cobertura frenética nos aproximou. Mas mais do que isso, se tornou um amigo próximo, desses de trocar músicas, impressões sobre a vida e rir junto no chope depois do fechamento. Vai fazer uma falta imensa para seus familiares e amigos e também como jornalista, pela sua capacidade de análise rigorosa e comprometida com a democracia e a defesa das liberdades. Está muito difícil de assimilar essa perda completamente fora de hora”, disse ao Estadão.

Nascido em 5 de fevereiro de 1978 na cidade de Santo Anastácio, no interior de São Paulo, o jornalista se dedicou principalmente à cobertura política nacional. Também era músico: foi vocalista e guitarrista da banda paulistana Portnoy, nome inspirado no autor americano Philip Roth, e adorava jogar tênis.

“A partida do Conrado deixa a família e os tantos amigos que ele colecionou pela vida consternados. O que posso dizer é que ele era, com excelência, um vanguardista. Um cara ético, justo e generoso. Foi assim no jornalismo, na música e na vida. Sempre buscou o extraordinário. Sentiremos muito a sua falta”, disse ao Estadão o irmão, Caio Corsalette.

“Conrado foi um jornalista brilhante. Ética, rigor e senso de justiça eram marcas da sua personalidade expressas no trabalho, assim como sua gentileza e interesse pelas pessoas”, disse a cofundadora do Nexo Jornal, Paula Miraglia. “Construir juntos o projeto do Nexo e trabalhar juntos ao longo desses anos foi um privilégio. Esse é um momento de enorme tristeza.”

Eduardo Scolese, editor-líder do núcleo de Diversidade, Treinamento e Projetos Especiais da Folha, também fala da “energia positiva” do amigo e colega. “Sou da mesma geração do Conrado e tive o prazer de conviver com ele ao longo de anos. Cada encontro era especial, pelo conhecimento, pelas trocas, pela generosidade, pelo afeto. Conrado foi um jornalista incrível, uma pessoa especial, radiante.”

“Ele esteve ao meu lado na hora mais crucial da minha vida, quando eu precisava de um jornalista de peso que pudesse assumir a Editoria de Política do Estadão durante a minha ausência na licença maternidade. O parça, generoso e brilhante como era, acolheu prontamente ao chamado. Conduziu com maestria e a sabedoria que o jornalismo exigia naquele ano de 2013, quando a história do Brasil se mostrava mais uma vez conturbadíssima e nos jogava em uma encruzilhada”, lembra a amiga Malu Delgado, também jornalista. “Em qualquer conversa, o jornalismo virava protagonista, mesmo sem ser convidado. Serei sempre inspirada por ele.”

‘Era bonito ver o Conrado trabalhar, como ele levava a sério o ofício do jornalismo, como era apaixonado e entendia a sua importância para a democracia”, completa Isabelle Moreira Lima, editora executiva da revista Gama e colunista da Folha. Amiga de longa data, ela o descreve como empolgado, amoroso, aberto e generoso.

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