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Instrutor de sobrevivência diz que, embora com fotos lindas, Pico Paraná é impiedoso

Segundo Luciano, Roberto possuía conhecimentos importantes que fizeram diferença em um cenário extremo
Luciano Tigre em entrevista ao Portal Nosso Dia (Foto: Portal Nosso Dia)
Segundo Luciano, Roberto possuía conhecimentos importantes que fizeram diferença em um cenário extremo

Luiz Henrique de Oliveira e Geovane Barreiro

05/01/26
às
13:04

- Atualizado há 2 dias

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A complexidade do resgate e da sobrevivência de Roberto Farias, localizado com vida após cinco dias nesta segunda-feira (5), no Pico Paraná, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, chamou a atenção de especialistas em atividades extremas, que relaram os riscos de uma incursão sem planejamento. Para o instrutor de sobrevivência e apresentador do Discovery Channel, Luciano Tigre, o caso expõe de forma clara como a montanha, apesar da beleza registrada em fotos e redes sociais, é um ambiente hostil e extremamente exigente.

“Essa complexidade é absurda. Começou com a caminhada da BR até a base, depois atacar a montanha com um esforço físico descomunal. Quando o evento se desenrolou, começou uma verdadeira batalha. Entramos dias a dentro, com risco real de hipotermia”, afirmou.

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Segundo Luciano, Roberto possuía conhecimentos importantes que fizeram diferença em um cenário extremo. “Ele entende um pouco de fisiologia, é socorrista, tem um conhecimento que não pesa na mochila. Isso acabou ajudando muito”, explicou.

O instrutor destacou pontos que chamaram atenção durante o episódio, como o fato de Roberto ter passado mal, apresentado vômitos e desorientação, e ainda assim conseguir avançar até áreas distantes, como a região de Antonina. “Isso chama muita atenção. Vomitar, desorientar e aparecer tão longe mostra que a genética foi feita para sobreviver. As lições desse caso são muito profundas”, avaliou.

Luciano também avaliou a banalização das trilhas de alta montanha nas redes sociais. “A gente chama isso de ‘instamagrável’. É lindo lá em cima, a pessoa vê uma foto e acha que é simples. Mas esquece que é um local muito impiedoso, nível máximo. A natureza não quer saber se você tem família em casa. Ou você entende e se adapta, ou paga um preço alto”, disse.

Para o especialista, o principal erro de muitos aventureiros é se expor ao risco sem preparo adequado. Ele compara a atividade a outras práticas que exigem treinamento técnico. “Se eu quero saltar de paraquedas, eu não vou lá e me jogo. Eu procuro alguém que entende, estudo e depois faço. Com avião é a mesma coisa. O principal é não se colocar em risco. Pensar antes de executar”, afirmou.

Mesmo com décadas de experiência, Luciano reforça que o Pico Paraná continua sendo um desafio. “Eu faço incursões desde sempre e, para mim, com conhecimento, já é difícil. Quando você vai no tudo ou nada, qualquer erro pode levar para o lado da tragédia.”

O instrutor também destacou a postura de Roberto diante da adversidade. “Guerreiro. Ele manteve a calma. Isso precisa ficar como lição. Estamos falando de alguém que não tinha subido uma montanha como essa. E, ainda assim, já vi caras muito experientes se darem mal ali”, concluiu.

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