
- Atualizado há 3 minutos
Após a denúncia feita na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) pelo deputado Marcelo Rangel (PSD) sobre supostos contratos de R$ 53 milhões para serviços de jardinagem, a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) afirmou que o valor não corresponde à realidade. Segundo disse em entrevista ao Portal Nosso Dia o gerente executivo jurídico, de riscos e compliance da entidade, Marco Antonio Guimarães, os gastos efetivos com esse tipo de serviço somam cerca de R$ 6,7 milhões em um contrato de dois anos iniciado em 2024 e válido até maio de 2026.
De acordo com Guimarães, o número divulgado inicialmente teria surgido por inconsistências no Portal da Transparência da instituição. “Eu posso dizer com convicção que esse não é um dado real. Na verdade, tivemos algumas inconsistências no nosso portal da transparência que levaram a um número significativo que nunca utilizamos em relação aos nossos contratos de jardinagem”, afirmou.
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Segundo ele, parte do problema ocorreu porque contratos de outros serviços foram classificados incorretamente como jardinagem. Entre eles, estariam contratos de limpeza e conservação das mais de 50 unidades mantidas pela entidade no Paraná. Além disso, o sistema também teria registrado duplicidade de alguns contratos.
“Alguns contratos que não se relacionam à jardinagem foram inseridos nessa rubrica, como limpeza e conservação. Também verificamos que alguns contratos apareceram duplicados no sistema, o que inflou de forma significativa e inverídica os valores relacionados à jardinagem”, descreveu.
O gerente afirmou que os dados estão sendo corrigidos e que a entidade trabalha para reorganizar as informações publicadas. “Essas inconsistências estão sendo ajustadas e estamos trabalhando para organizar de forma mais adequada e correta o nosso portal da transparência”, disse.
Valores reais
Segundo Guimarães, o contrato atual para serviços de jardinagem começou em maio de 2024 e tem duração de dois anos, com valor total aproximado de R$ 6,7 milhões. “O contrato vigente iniciado em 2024, com duração de dois anos até maio de 2026, tem valor em torno de R$ 6 milhões e 700 mil reais para esses 24 meses”, falou.
Ele acrescentou que, até agora, cerca de R$ 4,3 milhões já foram utilizados no período de 2024 e 2025. “Esses são os valores reais contratados e gastos com jardinagem no contrato com duração de dois anos”, explicou.

Licitações
Guimarães também esclareceu que os contratos foram firmados após processos de licitação na modalidade pregão. Segundo ele, os serviços foram divididos em lotes para aumentar a competitividade entre empresas interessadas. “No caso da jardinagem, fizemos um processo de licitação dividido em sete lotes para cobrir todo o estado do Paraná. A divisão busca aumentar a competitividade e garantir uma proposta mais vantajosa para o sistema”, disse.
De acordo com ele, uma mesma empresa acabou vencendo todos os lotes da licitação, assim como ocorreu em um segundo processo licitatório voltado para serviços de limpeza e conservação. “Essas licitações são muito concorridas. Houve diversas empresas participando e o pregão permite a redução progressiva dos preços até chegar à proposta mais vantajosa”, afirmou.
Assembleia apontou inconsistência
O gerente também afirmou que a entidade não foi formalmente notificada pela Assembleia Legislativa sobre o caso, mas reconheceu que os questionamentos feitos pelos deputados ajudaram a identificar o problema no portal. “Quero até agradecer o trabalho da Assembleia. A partir desses apontamentos tivemos consciência de uma inconsistência que não sabíamos que existia e que agora está sendo ajustada”, afirmou.
Segundo Guimarães, a federação está à disposição para prestar esclarecimentos aos parlamentares caso seja necessário. “Nós não só estamos dispostos a prestar os esclarecimentos necessários como estamos absolutamente preparados para informar o que de fato aconteceu e quais foram as inconsistências identificadas”. Se houve outro tipo de motivação, talvez política pelo fato do presidente da Fiep Edson José de Vasconcelos ser apontado como nome para ser o vice de uma chapa de Sérgio Moro, o gerente negou. “Não acreditamos nisso”, concluiu.