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Uma família denuncia que a pequena Lorena morreu dois dias após o parto normal ser induzido por mais de um dia no Hospital Municipal de Araucária (HMA), na Região Metropolitana de Curitiba. A morte do bebê aconteceu na última sexta-feira (13) e a família acusa a casa hospitalar de negligência, já que houve a negativa de realização de cesárea, que só aconteceu mais de um dia depois. A Prefeitura de Araucária, responsável pelo hospital, afirmou que se solidariza com a família e acompanha o caso.
Segundo o pai, Genildo Alves de Moura, o parto já estava há uma semana atrasado e, na manhã de terça-feira (11), por volta das 7h, o casal deu entrada no hospital. “Eles tentaram induzir o parto normal e a gente pedia cesárea. Levaram para debaixo do chuveiro e a nenê não desceu. Foram várias posições, pediram para fazer força e a gente pediu cesárea, minha esposa não aguentava mais de dor. E eles queriam parto normal de qualquer jeito. Depois de muito tempo, às 10h50 do dia seguinte, fizeram a cesárea, em uma gravidez que já era de risco por ela ter infecções de urina e outros problemas de saúde”, disse Genildo ao Portal Nosso Dia.
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Conforme o pai, a bebê saiu da cirurgia sem chorar e foi feita reanimação. “Ela estava com batimentos e respiração fracos. Foi levada para a UTI e depois de dois dias morreu. Foi uma negligência médica, a gente pediu pela cesárea e não fomos atendidos”, pontuou.
O que mais chocou. para Genildo, foi o descaso humano por trás da técnica. “Vi minha esposa ser colocada em posições forçadas, debaixo do chuveiro, em uma tentativa frustrada de fazer o parto acontecer naturalmente. Enquanto isso, a nossa filha lutava por ar dentro da barriga da mãe”, contou.
O caso foi registrado na Delegacia de Polícia de Araucária, mas a família afirma que não conseguiu sequer pedir uma autópsia: o atestado de óbito já havia sido assinado pela médica responsável.Nesta quinta-feira (19) às 15h30, pais, familiares e moradores de Araucária vão se reunir em frente à Prefeitura Municipal para pedir justiça por Lorena. Por todas as Lorenas que já se foram. Por todas que ainda podem ser salvas.
Sobre o caso, o a Prefeitura de Araucária encaminhou o seguinte posicionamento:
A Secretaria Municipal de Saúde de Araucária informa que está ciente do caso ocorrido no dia 11, no Hospital Municipal de Araucária, envolvendo óbito neonatal após atendimento obstétrico. A administração municipal lamenta profundamente o ocorrido e se solidariza com a família da criança.
O Hospital Municipal de Araucária é gerido por Organização Social, conforme contrato de gestão vigente. À Secretaria Municipal de Saúde compete a fiscalização e o acompanhamento dos serviços prestados.
Diante do ocorrido, a SMSA solicitou formalmente à Organização Social responsável pela gestão do hospital relatório técnico detalhado sobre o atendimento realizado, incluindo análise dos registros em prontuário e dos procedimentos adotados pela equipe assistencial.
A Secretaria informa que, conforme determina a legislação, todos os óbitos maternos e infantis são submetidos à apuração por comissões técnicas específicas, entre elas:
Essas instâncias realizam avaliação criteriosa dos fatos, com base técnica e documental, garantindo a devida apuração.
A Secretaria Municipal de Saúde acompanhará integralmente o processo de análise e adotará as providências administrativas cabíveis, caso sejam identificadas inconformidades.
A Prefeitura de Araucária reafirma seu compromisso com a fiscalização dos serviços de saúde contratualizados, com a transparência e com a melhoria contínua da assistência prestada à população.