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“Éramos nós contra o mundo”, diz advogado sobre ciganos que foram a júri no caso Giovanna

A menina, de 9 anos, foi assassinada em 2006, em Quatro Barras, e, à época, quatro integrantes de dois clãs ciganos chegaram a ser acusados pelo crime, sob a tese de que o homicídio teria ocorrido durante um suposto “ritual satânico de fertilidade”.
A menina, de 9 anos, foi assassinada em 2006, em Quatro Barras, e, à época, quatro integrantes de dois clãs ciganos chegaram a ser acusados pelo crime, sob a tese de que o homicídio teria ocorrido durante um suposto “ritual satânico de fertilidade”.

Luiz Henrique de Oliveira

20/02/26
às
9:27

- Atualizado há 17 segundos

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A prisão do apontado como verdadeiro autor da morte de Giovanna dos Reis Costa, realizada nesta quinta-feira, quase 20 anos após o crime, reacendeu a memória de um dos casos mais emblemáticos da Região Metropolitana de Curitiba, e também trouxe à tona o relato do advogado Cláudio Dalledone Júnior, que relembrou a defesa dos quatro ciganos acusados injustamente em 2006. “Éramos nós contra o mundo”, afirmou o criminalista ao recordar o período em que enfrentou forte pressão popular para sustentar a inocência dos réus.

A menina, de 9 anos, foi assassinada em 2006, em Quatro Barras, e, à época, quatro integrantes de dois clãs ciganos chegaram a ser acusados pelo crime, sob a tese de que o homicídio teria ocorrido durante um suposto “ritual satânico de fertilidade”. A versão ganhou repercussão e gerou revolta. Os ciganos foram absolvidos.

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“Há 20 anos eu entrava em uma causa para defender quatro ciganos de dois clãs diferentes. Estavam sendo acusados barbaramente de ter sequestrado e matado a menina Giovanna. Era nós contra todos, inclusive contra outros ciganos que diziam que aquilo era verdade”, declarou Dalledone.

Segundo ele, na primeira audiência, após a soltura dos acusados, houve risco de linchamento. “Em um ato de irresponsabilidade, me coloquei à frente e disse que, se fossem linchar os ciganos, teriam que me levar junto.”

Os quatro réus acabaram absolvidos posteriormente.

Prisão após quase duas décadas

Apesar de ter sido ouvido ainda em 2006, Martonio Alves Batista, de 55 anos, só foi preso agora. Segundo a Polícia Civil, a destruição de provas no local do crime e as limitações técnicas da época impediram que ele fosse indiciado naquele momento.

De acordo com a delegada Camila Cecconello, responsável pelo inquérito, o suspeito chegou a ser ouvido há quase duas décadas, e houve apreensão de material, mas não havia elementos suficientes para o indiciamento.

“Estamos falando de investigações que ocorreram há quase 20 anos, quando não se tinha a mesma tecnologia, o mesmo cuidado e o mesmo profissionalismo que nós temos hoje. Na época, a investigação chegou a conversar com o Martonio, ele foi ouvido e houve a apreensão de um fio, mas acreditamos que, naquele período, essas provas não foram suficientes para que a polícia concluísse pelo indiciamento dele”, afirmou.

A reanálise das provas com o uso de novas tecnologias teria sido determinante para o avanço do caso.

Advogado agora atua pela família

Em nova reviravolta, Cláudio Dalledone Júnior afirmou que atualmente representa a família de Giovanna no processo contra o suspeito preso.

“Quero dizer a esse povo cigano, discriminado, que tem sido uma honra poder não só absolver, mas descobrir o assassino que cometeu aquela barbaridade. Hoje sou advogado da família de Giovanna para condenar este sujeito que destruiu uma família inteira. Foram 20 anos perseguindo esse monstro”, declarou.

Quase duas décadas depois, o caso que marcou Quatro Barras volta ao centro das atenções, agora com a expectativa de que a Justiça seja concluída.

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