
- Atualizado há 4 anos
A enfermeira Franciele Cordeiro, morta pelo policial militar Dyegho Henrique Almeida da Silva, registrou boletim de ocorrência (BO) contra ele e pediu medida protetiva 2 dias antes do crime ocorrido no bairro Rebouças, em Curitiba.

Consta no documento protocolado na Polícia Civil, obtido pelo Portal Nosso Dia nesta quarta-feira (14), que o casal manteve relacionamento por um ano. Durante o período, Dyegho teria forçado um aborto por parte de Franciele, o que fez o casal perder a filha cinco dias após o nascimento.
Foi após o término do relacionamento, porém, que diversas ameaças passaram a ser feitas. Na última sexta-feira (9), o policial militar chegou a afirmar para a vítima que ela “não sabia o que ele era capaz de fazer”.
No pedido feito à Polícia Civil, Franciele pedia a concessão de medida protetiva para evitar a aproximação de Dhyego, que já mantinha histórico de violência conta ela. “Que desde então a vítima não está mais dormindo em casa por medo”, diz o descritivo do BO.
Franciele, de 28 anos, foi baleada no fim da tarde desta terça-feira (13), no cruzamento das ruas Francisco Nunes e Chile. Por quatro horas, Dyegho negociou com equipes da PM para se render, mas acabou tirando também a própria vida por volta das 21h30.
Em vídeo publicado em uma de suas redes sociais, momentos após ter matado Franciele, Dyegho se disse vítima de um relacionamento abusivo. Ele afirmou que um homem passa por muita coisa na mão de uma mulher. (Assista ao vídeo abaixo)
“Só pra todo mundo saber, que homem também sofre relacionamento abusivo. Que homem é abusado, que homem é esculachado. Que homem passa por muita coisa na mão de uma mulher. E isso afeta o psicológico, afeta tudo. No primeiro sinal de abuso, fuja rapaziada. Vocês não merecem”, afirmou o policial.
No primeiro vídeo é possível ver que, por volta das 17h12, o policial militar chega em uma motocicleta e para à frente do carro da ex-companheira. Ele desce atirando várias vezes e o veículo vai para trás.
No segundo vídeo é possível ver o carro indo de ré, enquanto o policial dispara várias vezes. Em seguida, a enteada do atirador sai correndo pela porta do passageiro.
Em nota emitida na noite de terça-feira, a Polícia Militar diz que se solidariza com os familiares das vítimas e lamenta o acontecido:
“Todos os procedimentos de segurança foram adotados pelas equipes policiais desde a primeira intervenção e as tratativas foram feitas de forma incessante.
Neste momento é fundamental mover todos os esforços para amparo das famílias e as motivações serão devidamente apuradas posteriormente.
Mais informações serão repassadas assim que possível.”