
- Atualizado há 4 anos
Se você acha que já viu de tudo nessa vida, é porque ainda não conheceu o encantador de capivaras. Companheiro fiel dos bichanos símbolo dos parques de Curitiba, Luciano Mochinski, 47, morador do bairro Fazendinha, se tornou conhecido na Capital justamente pela proximidade com as capivaras. Por meio das redes sociais, o técnico em telecomunicações passou a compartilhar vídeos em que se aproxima e faz carinhos nos bichanos. Mas, desde a determinação da Prefeitura de Curitiba sobre manter a distância, Luciano jura obedecer e completa: “Vou continuar a filmar, mas de longe”.
A audiência agradece. Até porque o perfil de Luciano nas redes sociais é igual ao de pais frescos: só foto e vídeo dos bichinhos. Um dos registros, inclusive, tem 6,8 milhões de visualizações. Outros com 1,6 milhão, uns com 500 mil. É muita gente querendo ver as capivaras saltitando na água. E não são só os brasileiros, viu? Sites da China, dos Estados Unidos, já entraram em contato com ele para utilizar seus vídeos.
Tá, mas como foi que começou esse ‘relacionamento’?
O ‘imprinting’ pelo bichano foi há, pelo menos, dez anos, quando começou a correr pelas ruas de Curitiba e se viu obrigado a mudar de endereço. “Eu caminhava diariamente, mas na rua. Comecei a presenciar algumas violências, até homicídio vi. Aí decidi ir para os parques e aqui perto de casa temos o Cambuí e o Guairacá. Nisso, comecei a ver as capivaras todos os dias e a perceber o comportamento delas”, relembra, em entrevista ao Portal Nosso Dia.

De observador, passou a tirar foto das ‘capis’, carinhosamente apelidada por ele. O intuito principal era clicá-las pulando na água. “Depois de anos tentando, consegui com uma máquina profissional. De tanto fotografá-las, teve um dia que eu estava correndo no Barigui e começou a chover. Nisso, uma delas veio debaixo do meu guarda-chuva. É o meu primeiro vídeo (assista abaixo), fiquei até meio assustado porque nunca tinha chego tão perto”, descreve Luciano.
O registro bombou. Luciano passou a ter cada vez mais seguidores e amigos nas redes sociais justamente por conta dos vídeos inusitados que fazia ao lado das capivaras do Barigui.
Depois do episódio do guarda-chuva, Luciano passou a se aproximar daquelas mais ‘domesticadas’.
“Fui fazendo carinho nelas, bem rapidinho. Depois notei que gostavam. Mas, eu só encostava em uma delas que era mais chegada comigo. Depois conheci mais uma adulta e tem dois filhotinhos que consigo que aproximar. A maioria é arisca. Eu tenho bastante vídeo fazendo carinho nela, mas eu sei que não pode”, disse ele.
Não mesmo. Pode ser perigoso porque as capivaras são um dos hospedeiros do carrapato-estrela (Amblyomma cajennense), que transmite a doença chamada Febre Maculosa Brasileira (FMB).
Justamente, por isso, a Prefeitura de Curitiba colocou placas nos parques orientando sobre manter distância dos animais. Luciano concorda. “Não pode, mesmo e vou respeitar. Inclusive, já vi uma delas mordendo um cão que foi para cima de um filhote. Nunca fui atacado nem nada, mas isso pode ocorrer. Vídeos agora só de longe”, disse ele.
Mesmo assim, o técnico em telecomunicações alimenta um desejo pra lá de diferente. “Quero ter uma chácara e sonho em poder manter um casalzinho de capivara. Sei que precisa de licença, acompanhamento com veterinário e vou fazer tudo certinho”, promete Luciano.