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Empresário Sérgio Nahas, que matou mulher há 23 anos em SP, é preso após flagra em praia na Bahia

Câmeras de monitoramento em praia da Bahia levaram à prisão; em 2002, vítima foi morta pelo marido em Higienópolis
Câmeras de monitoramento em praia da Bahia levaram à prisão; em 2002, vítima foi morta pelo marido em Higienópolis

Estadão Conteúdo

22/01/26
às
9:35

- Atualizado há 58 segundos

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O sistema de monitoramento por câmeras de Praia do Forte, na Bahia, um dos destinos turísticos mais badalados do País, foi determinante para prender o empresário paulista Sérgio Nahas, de 61 anos, condenado por assassinar sua mulher, Fernanda Orfali, então com 28 anos, em maio de 2002.

Ele foi localizado e preso no sábado, 17, em um condomínio de luxo pela Polícia Militar baiana. Ao Estadão, a defesa disse que ele está com problemas de saúde e não tinha interesse de ficar foragido (leia mais abaixo).

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Há quase 24 anos, o crime ocorreu no apartamento onde o casal morava, em Higienópolis, na região central de São Paulo. Fernanda foi atingida por um disparo no peito após ela pedir separação. Segundo a investigação, ela havia confrontado o marido pelo uso abusivo de cocaína e um relacionamento amoroso que ele mantinha com uma travesti.

Durante o processo, todas as provas periciais apontaram para autoria de Sérgio Nahas, e o Ministério Público defendeu a condenação por homicídio qualificado. A defesa, entretanto, sustentou a tese de que Fernanda sofria de depressão severa e cometeu suicídio. A família Orfali sempre rechaçou esta versão e afirma que Fernanda jamais passou por tratamento psiquiátrico.

Após uma série de recursos, o julgamento de Sérgio Nahas só ocorreu 16 anos após o assassinato de Fernanda. Ele foi condenado em júri popular por homicídio simples, sem qualificadoras, e sentenciado em primeira instância à pena de sete anos de prisão em regime semiaberto.

O Ministério Público recorreu e a pena foi elevada para 8 anos e 2 meses de prisão. No ano em que o crime ocorreu, não havia a Lei do Feminicídio (2015), nem mesmo a Lei Maria da Penha (2006).

Nahas permaneceu em liberdade enquanto recorria da condenação às instâncias superiores. Quando o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal, a Corte confirmou a pena do empresário e determinou o cumprimento imediato, inicialmente em regime fechado. A defesa ainda apresentou novos embargos até a condenação transitar em julgado.

Em junho de 2025, o juiz da 1ª Vara do Júri na capital, Roberto Zanichelli Cintra, expediu o mandado de prisão em desfavor do empresário e determinou a inclusão dele na Difusão Vermelha da Interpol, medida que permite que autoridades de outros países possam prendê-lo caso ele tivesse deixado o Brasil.

Sérgio Nahas é de uma família de alto poder aquisitivo e de descendentes de sírios-libaneses. Havia o receio de que ele estivesse foragido no exterior.

No sábado passado, Sérgio Nahas circulava livremente pelas ruas de Praia do Forte, onde em 2002 passou a lua-de-mel com Fernanda seis meses antes de assassiná-la. Foi, então, reconhecido pelas câmeras de videomonitoramento e reconhecimento facial. Os policiais confirmaram a identidade do homem com mandado de prisão em aberto e localizaram o empresário no condomínio Kawai, na Praia dos Artistas, no centro de Praia do Forte.

Ao ser abordado, não ofereceu resistência. Com Nahas, a polícia encontrou 17 pinos de cocaína, três aparelhos celulares, um carro modelo Audi, cartões de crédito e medicamentos de uso contínuo.

A advogada do empresário, Adriana Machado Abreu, afirmou que Sérgio Nahas mora na Bahia desde o ano passado. Segundo ela, ele é uma “pessoa íntegra, idosa, com questões graves de saúde e que não tinha interesse em ficar foragido”.

Por não ter feito contato com o cliente desde sua prisão, a advogada preferiu não comentar sobre os pinos de cocaína que, segundo a polícia, estavam com ele.

‘É uma cicatriz eterna’, diz irmão da vítima

A prisão de Sérgio Nahas ocorre no dia em que o Ministério da Justiça divulgou dados que apontam o registro de um novo recorde de feminicídios no País, com ao menos 1.470 ocorrências em 2025, uma média de quatro vítimas por dia.

“Nestes 23 anos de meio de luta, uma luta incansável, eu sempre acreditei que minha irmã, primeiro, não tinha se matado. E, segundo, que merecia justiça”, afirmou o empresário Júlio Orfali, irmão de Fernanda.

“Foi uma luta muito dolorosa porque, em um crime como esse, o culpado demorou 23 anos e meio pra pagar, e com uma pena ridícula. Mesmo que seja a pouco tempo, ele vai pagar por uma destruição de uma família. Essa é uma cicatriz eterna”, acrescentou.

Para o advogado da família Orfali, Davi Gebara, o alto poder aquisitivo de Nahas permitiu que a tramitação do processo se alongasse na Justiça, por meio da interposição de recursos. “Observamos um padrão de atraso processual, com apresentação sucessiva de recursos e embargos”, afirmou.

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