PUBLICIDADE
Curitiba /
DIA A DIA

“Em 15 minutos a água invade as casas”: moradores do Lindóia, em Curitiba, vivem rotina de alagamentos

Moradores afirmam que os alagamentos se intensificaram após o início das obras de macrodrenagem, iniciadas em 2015, relatam riscos à segurança e cobram prazos e soluções
Foto: Colaboração
Moradores afirmam que os alagamentos se intensificaram após o início das obras de macrodrenagem, iniciadas em 2015, relatam riscos à segurança e cobram prazos e soluções

Geovane Barreiro, Vitória Santin e Angelo Binder

15/01/26
às
16:07

- Atualizado há 35 segundos

Compartilhe:

Após ser procurada por moradores do bairro Lindoia, em Curitiba, a reportagem do Portal Nosso Dia foi ao bairro Lindóia, em Curitiba, para verificar denúncias de enchentes recorrentes. Moradores afirmam que os alagamentos se intensificaram nos últimos anos . Os moradores relatam riscos à segurança e cobram prazos e soluções. Além disso, Lindóia, Parolin e Vila Fanny foram bairros afetados pelas fortes chuvas concentradas em um curto período de tempo na capital na última quarta-feira (14), o que preocupou ainda mais os moradores em relação à antiga situação.

No local, a reportagem ouviu moradores antigos, acompanhou pontos críticos de alagamento e reuniu relatos de quem convive, ano após ano, com enchentes frequentes que, segundo a população, passaram a ocorrer após o início das obras no Corrégo Henry Ford, em 2015.

Morador do bairro desde que nasceu, Leandro Saviski, de 40 anos, afirma que o cenário mudou completamente depois das intervenções. “Antes, o rio até vazava, mas precisava de chuva muito intensa e por bastante tempo. Eram uma ou duas horas de chuva forte para o rio sair da calha, e mesmo assim raramente atingia alguma casa. Hoje, com 15 ou 20 minutos de chuva mais forte, a água já começa a sair”, relata.

Segundo ele, o que antes era exceção virou rotina. “A gente não está falando de um problema que acontecia uma vez a cada cinco anos. Hoje isso acontece cinco, seis vezes por ano, às vezes até mais. Virou algo normal para quem mora aqui”, afirma.

Além do transbordamento do rio, ele aponta falhas no sistema de drenagem. “Os bueiros não suportam, as tampas se erguem e colocam as pessoas em risco. Na frente da minha casa, uma mulher quase caiu dentro de um bueiro. É uma tragédia anunciada, que pode acontecer a qualquer momento”, diz. Ele também critica a falta de respostas técnicas. “A gente pergunta quais foram os critérios da obra, qual o índice de chuva que esse rio suporta, e ninguém sabe responder. A prefeitura, infelizmente, se exime de responsabilidade.”

Outro ponto destacado pelos moradores é o tempo de execução da obra. “Essa obra começou em 2015. Já estamos em 2026 e ela não foi concluída. Dizem que está descontinuada, depois que vão retomar, mas ninguém sabe em que pé está. Falam em terminar ‘este ano’, mas não existe um prazo definido, com data”, afirma.

Leandro Saviski mora na região há 40 anos. Foto: Portal Nosso Dia.

O morador Niles Santiago também conversou com a equipe do Nosso Dia e relatou como as famílias tentam se adaptar à rotina de alagamentos. “As pessoas compram móveis de alumínio, colocam calços dentro de casa e, quando a água entra, usam bombas para retirar a água. Tem morador que precisou solicitar ligação elétrica em 220 volts para conseguir bombear a água de dentro da casa”, conta.

Segundo ele, a insegurança faz parte do dia a dia. “Hoje, se a gente olha a previsão do tempo e vê mais chuva, o pessoal já fica mobilizado. A gente faz o que é possível e acaba contando com a ajuda de Deus, torcendo para que não chova e não alague tudo de novo”, afirma.

Niles também chama atenção para os prejuízos emocionais, sociais e de saúde. “Não é um desastre natural, é um erro humano. As pessoas estão trabalhando e não sabem o que está acontecendo dentro da própria casa. É muito doloroso perder aquilo que foi conquistado com tanto esforço”, diz. Ele ainda alerta para riscos em um espaço esportivo usado por crianças. “A água invade, deixa sujeira, e as crianças treinam descalças. Podem se machucar ou contrair doenças. Era para ser um espaço de esporte e saúde, mas acontece o contrário.”

Os moradores relatam ainda que, ao longo dos anos, diversas autoridades políticas já estiveram no local. “Tem muito vereador que já veio aqui, mas fica só na promessa. A gente não quer procurar culpados. A gente quer uma solução”, resume Niles Santiago.

Niles Santiago é morador e treinador do Projeto Mengo Lindóia. Foto: Portal Nosso Dia.

O que diz a Prefeitura de Curitiba

O Nosso Dia procurou a Prefeitura de Curitiba, que encaminhou a seguinte nota oficial, publicada na íntegra:

“A Prefeitura de Curitiba esclarece que os alagamentos registrados na região do Parolin e Vila Fanny na tarde de quarta-feira (14) foram ocasionados principalmente pelas fortes chuvas concentradas em um curto período de tempo, caracterizadas por elevado volume e intensidade, o que provocou a sobrecarga momentânea do sistema de drenagem da região.

Mesmo com a existência de estruturas de macrodrenagem, eventos de precipitação extrema, como o ocorrido na quarta-feira, podem ultrapassar a capacidade de escoamento prevista para o sistema, resultando em alagamentos pontuais.

Devido às características, a região é mais sensível a alagamentos por estar localizada em uma área de baixada, próxima aos leitos de rios, como o Rio Pinheirinho, o que a torna naturalmente mais vulnerável a inundações. Para prevenir os prejuízos está em andamento a obra de macrodrenagem para o Controle de Cheias do Rio Pinheirinho, uma grande estrutura de contenção de cheias que vai nos ajudar a evitar alagamentos em vários bairros. Quando concluída, beneficiará a população dos bairros Parolin, Lindóia, Fanny, Guaíra e Hauer. A obra inclui canalização de cursos d’água, construção de estações de bombeamento e modernização do sistema de drenagem e está em fase de conclusão.

Os trabalhos em execução possuem elevada complexidade técnica e operacional, uma vez que envolvem intervenções em área urbana densamente ocupada e exigem cuidados permanentes para manter o funcionamento do sistema durante as obras.

São 8 km de intervenção, e o mecanismo completo servirá para retardar o fluxo da água dos córregos e rios Santa Bernadethe, Henry Ford e Curtume, além dos rios Vila Guaíra e Pinheirinho, que desaguam no Rio Belém, reduzindo seu potencial de causar inundações e estragos.

A obra já deveria ter sido concluída, no entanto, uma série de razões, entre elas o vandalismo, tem impactado no cronograma da obra, com nova previsão de conclusão para o segundo semestre deste ano.

A Prefeitura de Curitiba trata como prioridade a conclusão da obra que, além da complexidade, passou por modificações no cronograma por diferentes situações, que vão desde dificuldades no repasse de verbas federais, ajustes no projeto executivo, interrupções causadas pela pandemia de COVID-19, necessidade de rescisão de contrato com a empresa executora e realização de nova licitação, além dos constantes casos de vandalismo nas estruturas.

Com frequência, os condutos forçados que integram a obra são incendiados ou danificados. A reposição do material, feito sob medida, causa atraso nos serviços. Um dos últimos episódios foi registrado em 8 de dezembro, quando um incêndio criminoso destruiu cerca de 50 metros da estrutura.

O trecho atingido pertence a um conduto forçado feito em Polietileno de Alta Densidade (PEAD) reforçado com fibra de vidro, material plástico inflamável produzido sob medida para suportar a alta pressão da água. A substituição das peças destruídas gerou novo atraso no cronograma da obra.

Em razão da recorrência de atos de vandalismo no local, a Secretaria Municipal de Obras Públicas está executando uma proteção mecânica, com envelopamento em concreto, ao longo de cerca de 4 km do conduto, como medida preventiva.

Paralelamente, são contínuas as ações de limpeza e desassoreamento do Rio Vila Guaíra e dos córregos da região, com retirada de sedimentos e lixo descartado de forma incorreta pela população.

A Prefeitura também desenvolve o planejamento de novas ações estruturantes para aumentar a resiliência da região frente a eventos de fortes precipitações, incluindo estudos para implantação de bacias e reservatórios de detenção, que permitem a retenção temporária das águas pluviais e a redução dos picos de vazão.”

TÁ SABENDO?

DIA A DIA

© 2024 Nosso dia - Portal de Noticias