
- Atualizado há 5 horas
Muitas das doenças que mais impactam a saúde da população brasileira têm uma característica em comum: evoluem de forma silenciosa. Sem apresentar sintomas nas fases iniciais, condições como diabetes, hipertensão arterial e alterações no colesterol podem passar anos sem diagnóstico, aumentando o risco de complicações graves. Dados do Ministério da Saúde mostram que o número de brasileiros com diabetes cresceu 135% nas últimas duas décadas, atingindo 12,9% da população adulta. O país soma cerca de 16,6 milhões de pessoas vivendo com a doença, sendo um dos maiores números absolutos do mundo.
O desafio é ainda maior porque uma parcela significativa dos pacientes sequer sabe que está doente. Estimativas da Sociedade Brasileira de Diabetes indicam que cerca de 30% dos brasileiros com diabetes não têm diagnóstico. Já no caso da hipertensão, dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia apontam que aproximadamente 50% dos pacientes desconhecem a própria condição.
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Segundo o responsável técnico do LANAC – Laboratório de |Análises Clínicas, Marcos Kozlowski, é justamente nesse cenário que os exames laboratoriais ganham protagonismo. “As doenças silenciosas são um dos maiores desafios da medicina preventiva hoje. Muitas vezes, o paciente se sente bem, mas já apresenta alterações importantes nos exames, que indicam risco aumentado para problemas mais graves”, afirma.
Testes simples, como glicemia em jejum, hemoglobina glicada, perfil lipídico e função renal permitem identificar alterações antes mesmo do surgimento de sintomas. “Quando conseguimos identificar essas alterações precocemente, aumentamos muito a chance de controle da doença e evitamos complicações como infarto, AVC e insuficiência renal”, complementa Kozlowski.
Principais doenças silenciosas detectadas em exames
Entre as condições mais comuns que podem ser identificadas precocemente estão:
– Diabetes: detectado por exames de glicemia e hemoglobina glicada
– Hipertensão (indiretamente): embora o diagnóstico seja feito pela aferição da pressão arterial, exames laboratoriais podem apontar sinais de alerta, como alterações na função renal (creatinina elevada), presença de proteína na urina e alterações no perfil lipídico, fatores associados ao risco cardiovascular
– Dislipidemias (colesterol alto): geralmente assintomáticas, mas com impacto direto no risco de doenças cardiovasculares
– Doenças renais: identificadas por exames de creatinina e análise de urina
– Alterações hormonais: como disfunções da tireoide, frequentemente silenciosas
Apesar do avanço das doenças crônicas, a boa notícia é que muitas delas podem ser controladas, ou até evitadas, com diagnóstico precoce e mudanças no estilo de vida. Um exame simples de sangue, por exemplo, já é capaz de indicar alterações importantes e orientar o tratamento adequado. O Ministério da Saúde recomenda a realização de check-ups periódicos, especialmente a partir dos 30 ou 40 anos, ou antes, em casos de histórico familiar ou fatores de risco como sedentarismo, obesidade e tabagismo. “Os exames laboratoriais são aliados estratégicos da medicina preventiva. Eles permitem que o paciente tenha uma visão mais completa da sua saúde, muitas vezes antes mesmo de qualquer sintoma aparecer”, reforça Kozlowski.