
- Atualizado há 4 anos
A chegada de uma criança provoca grandes mudanças na vida de uma família. Nesta nova fase, algumas das principais dificuldades podem estar relacionadas com a amamentação. As Unidades Básicas de Saúde (UBS), ambulatórios/consultórios ou clínicas de amamentação, Bancos de Leite Humano e Postos de Coleta de Leite Humano oferecem apoio para a mulher que precisa de ajuda profissional. Mesmo assim, algumas dicas podem ser úteis. Confira:
A “descida do leite” – ou apojadura – pode demorar um pouco mais para acontecer em algumas mulheres. As cesarianas eletivas (programadas), vem sendo apontadas como um fator associado a essa demora, por fatores hormonais e por dificultar a amamentação na primeira hora de vida. Os partos prematuros e a obesidade também podem interferir na descida do leite.
Nesses casos, algumas medidas podem ajudar, em especial a estimulação da mama com sucção frequente do bebê ou com extração manual. A ajuda profissional é muito importante, assim como o suporte da família e da rede de apoio.
Alguns bebês apresentam dificuldades para iniciar a amamentação nos primeiros dias de vida. Nesse momento, tanto a mulher quanto o bebê estão se adaptando às mamadas. As causas podem estar associadas à pega e posição da criança durante a amamentação ou ao uso de bicos de mamadeiras de silicone e de chupetas. O bebê também pode não conseguir abocanhar a aréola adequadamente quando a mama é muito grande, está muito cheia ou “empedrada” ou quando o mamilo é invertido ou muito plano. Além disso, é importante avaliar o frênulo lingual, que dependendo do grau, também pode interferir na amamentação.
Verifique na Caderneta da Criança se a maternidade realizou avaliação do frênulo lingual. Caso não tenha sido avaliado, deve-se procurar uma Unidade Básica de Saúde ou retornar na maternidade. Observe a pega e posição do bebê nas mamadas. Existem diversas posições para a mulher amamentar: sentada, recostada, deitada ou em qualquer outra posição que seja agradável, familiar e mais adequada ao momento.
Mãe e bebê devem se sentir confortáveis, com o corpo da criança virado para o corpo da mãe, com a cabeça e o corpo da criança alinhados, e nunca com o pescoço torcido. É importante apoiar bem o bebê, colocando o rosto da criança perto e de frente para a mama. Suspenda o uso de bicos de mamadeiras, silicone e chupetas.
Caso as mamas sejam grandes, utilize um apoio. Enquanto a criança tiver dificuldade para sugar, pode-se retirar o leite do peito de forma manual ou com bomba, de 6 a 8 vezes ao longo do dia, e oferecer ao bebê em um copo ou colher. Isso ajudará na produção de leite até que a criança volte a sugar.
A orientação de um profissional de saúde logo na primeira mamada do bebê e a verificação da língua presa são fundamentais para identificar os motivos que dificultam a amamentação e a conduta mais adequada.

Um mamilo plano ou invertido pode dificultar a amamentação, mas não precisa ser tratado como um impeditivo, pois essa limitação pode ser superada.
Primeiro, deve-se ajudar o bebê a abocanhar o mamilo e a aréola e tentar diferentes posições para facilitar a pega. Se a mama estiver muito cheia, antes de iniciar a amamentação, deve-se massagear as mamas e retirar um pouco de leite para que a aréola fique mais macia e facilitar que a criança pegue o peito.
Nos primeiros dias após o parto, a mulher pode sentir os mamilos doloridos, fator considerado normal devido ao aumento da sensibilidade das mamas no final da gestação e início da amamentação. No entanto, se o mamilo apresentar alguma fissura, deve-se procurar orientação profissional. Passada a primeira semana, a persistência dos mamilos doloridos é um sinal de alerta.
Observe a pega do bebê e tente encaixá-la de forma adequada durante a amamentação. Evite o uso de sabão, álcool ou qualquer outro produto nos mamilos. Massageie as mamas quando estiverem muito cheias e retire um pouco de leite antes da mamada, para auxiliar na prevenção de machucados.
Caso precise interromper a mamada, tire o vácuo causado pela sucção do bebê. Introduza com cuidado o dedo indicador ou mínimo no canto da boca da criança. Isso evitará que o mamilo estique e machuque.
Em caso de feridas já existentes, enxague os mamilos com água limpa pelo menos uma vez ao dia para evitar infecções e, se possível, deixe as mamas livres por alguns momentos sem atrito com o sutiã ou outro tecido.
Alguns procedimentos podem ser úteis para diminuir a dor: variar a posição das mamadas, iniciar a amamentação na mama não machucada ou menos machucada. Em casos de muita dor, a oferta de uma das mamas pode ser temporariamente suspensa e a retirada do leite pode ser realizada de forma manual para evitar o “leite empedrado” ou a mastite.
Não é recomendado o uso de cremes, óleos, antissépticos, chás ou outras substâncias sobre as mamas na tentativa de aliviar a dor. Caso necessário, procure orientação profissional.
Outra dificuldade comum, principalmente nos primeiros dias de amamentação, é quando a mama produz mais leite do que o bebê consegue mamar. O problema aparece quando a mama fica muito cheia a ponto de a pele ficar esticada, causando muitas vezes o endurecimento da mama ou a presença de alguns caroços. Esse processo é denominado ingurgitamento mamário e chamado popularmente de “leite empedrado”. Em situações mais graves, as mamas podem ficar doloridas, inchadas e com a pele avermelhada e brilhante, podendo provocar febre e mal-estar.
Primeiro, deixe o bebê mamar sempre que quiser, sem horários restritos e sem pressa. Outras alternativas que podem ajudar: faça massagens com suaves movimentos circulares, iniciando sempre ao redor da aréola e retire um pouco de leite da mama para facilitar a pega.
É a inflamação da mama, que pode progredir ou não para uma infecção. Pode acontecer quando o leite fica muito tempo parado no peito e/ou através da rachadura no mamilo, que funciona como uma porta de entrada para bactérias.
A mulher com sintomas de mastite deve procurar imediatamente um serviço de saúde para realizar o tratamento adequado. A amamentação não precisa ser interrompida durante o tratamento.
Ductos lactíferos são os canais por onde o leite passa dentro da mama. Eles podem ficar bloqueados quando o leite produzido numa determinada área, por algum motivo, não é drenado. Isso ocorre com frequência quando a mama não é esvaziada corretamente, ou seja, quando as mamadas são muito espaçadas ou quando o bebê não consegue remover o leite de maneira eficaz. Pode ser causado também quando existe pressão local, como um sutiã muito apertado, ou o uso de cremes nos mamilos, obstruindo os poros de saída do leite. O bloqueio de ductos lactíferos pode se manifestar a partir de caroços localizados, sensíveis e dolorosos, acompanhados de vermelhidão e calor na área afetada.
Qualquer medida que favoreça o esvaziamento da mama ajuda na prevenção do bloqueio de ductos lactíferos. Quando o bloqueio já aconteceu, mamadas frequentes, massagem, esvaziamento das mamas e utilização de distintas posições para amamentar podem ajudar a resolver o problema.
A falsa sensação de ter pouco leite é a principal razão para a oferta de outros leites e alimentos ao bebê. Mas é preciso destacar que a maioria das mulheres produz leite suficiente para oferecer à criança em todas as etapas da amamentação. Choro ou outras reações de insatisfação do bebê não significam necessariamente que a mãe esteja com pouco leite. Se o bebê demonstra estar satisfeito após as mamadas, é ativo, responde aos estímulos, urina várias vezes ao dia (no mínimo 6 vezes) e está crescendo, ganhando peso e se desenvolvendo adequadamente, de acordo com a avaliação médica, não há problemas com a quantidade de leite.
Caso essa sensação de baixa produção de leite persista, algumas medidas podem ajudar:
É o caso de mulheres que produzem mais leite do que o bebê consegue consumir. Não é um problema, mas pode provocar algumas dificuldades na amamentação. A criança pode ficar irritada, arquear o corpo para trás durante a mamada, engasgar, regurgitar ou ter gases e cólicas.
Algumas medidas podem ser tomadas para evitar a hiperlactação:
Independente da situação, a mulher precisa e deve receber apoio da família, da sua rede de apoio e dos profissionais de saúde para manter a amamentação.