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A sessão desta segunda-feira (26) da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) teve a aprovação de duas moções contrárias às declarações do presidente Lula, no dia 18 fevereiro, sobre a guerra entre Israel e o Hamas. O tema foi discutido por um longo período na Casa de Leis, o que levou a uma crítica por parte do vereador Mauro Ignácio (União), que afirmou ser um desrespeito por parte dos parlamentares perder tempo com um tema internacional, deixando coisas da capital de lado.
“Lamentavelmente mais uma vez essa Casa tem uma prova de desrespeito a Curitiba. O que vamos interferir na Guerra de Israel? Absolutamente nada. Estamos discutindo uma questão internacional e que não nos afeta nada. Vamos estar atentos ao tema da nossa cidade”, afirmou o vereador, que em seguida mostrou um vídeo de um buraco que surgiu ontem na BR-277, no bairro Orleans. “Isso sim é uma guerra de Curitiba, já que nada é feito para este problema”, concluiu.
A primeira moção votada nesta segunda-feira foi do vereador Pier Petruzziello (PP), que é de desagravo “às declarações do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, comparando a guerra de Israel contra o Hamas ao Holocausto”. A segunda moção, assinada pelos vereadores Eder Borges (PP), Indiara Barbosa (Novo) e Osias Moraes (Republicanos), é de desagravo “pelo sério ataque antissemita cometido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao expor a Nação Brasileira ao discursar em entrevista coletiva na Etiópia”. As votações foram simbólicas (sem o registro nominal no painel eletrônico), com duas manifestações contrárias.
O debate foi trazido à tona para a CMC e tomou grande parte da sessão. Petruzziello retomou o debate da moção de sua autoria, iniciado na última quarta-feira (21) – com o fim da sessão plenária, a discussão e a votação foram adiadas para esta segunda. “É uma moção que vai historicamente na defesa do povo judeu, um povo que foi perseguido. Mais de 6 milhões de judeus morreram no Holocausto simplesmente por serem judeus”, citou. “Árabes e judeus, aqui, convivem de forma harmoniosa, […] nós não estamos fazendo guerra religiosa.”
rofessora Josete e Giorgia Prates, do PT, fizeram os contrapontos às críticas ao Governo Federal. Para as vereadoras, as falas do presidente Lula foram tiradas do contexto. “[Quero] cumprimentar, com toda minha solidariedade, as pessoas que estão aqui hoje [nas galerias], porque nós temos que fazer este debate como um todo, […] e o presidente Lula falou que é contra o terrorismo”, disse Josete. “O Hamas é, sim, um grupo terrorista. Da mesma forma, quando me refiro ao povo de Israel, não estou me referindo ao governo sionista, e sim ao povo inocente”, citou Prates.
Assim como Petruzziello, Osias Moraes defendeu que a guerra foi motivada pelo ataque do Hamas. “Tem uma diferença entre uma guerra e o genocídio, […] o genocídio contra o povo judeu está claro”, avaliou. “Todas as câmaras deste país deveriam fazer moções de repúdio, porque nós precisamos mostrar ao mundo que nós não concordamos com estas falas”, disse Eder Borges. A outra moção, que os vereadores assinam com Indiara Barbosa, foi votada na sequência, sem o debate pelo plenário (416.00003.2024).
Rodrigo Reis (União) defendeu que as comunidades árabe e judaica convivem harmoniosamente no país e que a declaração “trouxe esta briga para dentro do Brasil, [de forma] desnecessária”. “O presidente Lula é um exemplo, sim, para o mundo, um exemplo a não ser seguido”, declarou a Sargento Tânia Guerreiro (União).