
- Atualizado há 2 anos
Para receber as principais informações do dia pelo WhatsApp entre no grupo do Portal Nosso Dia clicando aqui. Siga o Nosso Dia no Instagram, Facebook e Twitter
O desembargador eleitoral José Rodrigo Sade tomou posse como membro efetivo da Corte do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), na classe de jurista, na tarde desta quarta-feira (6). Com isso, o tribunal está completo e julgará, no próximo dia 1° de abril, o processo que pode levar a cassação do senador Sérgio Moro (União-PR).
Questionado pelo Portal Nosso Dia, José Rodrigo Sode, que entra na vaga decorrente do término do segundo mandato do desembargador eleitoral Thiago Paiva dos Santos, afirmou que os bastidores que envolvem o julgamento de Moro são deixados de lado.
“O juiz estuda o processo. O bastidor não nos diz respeito, a não ser o que está no processo. O que está nos autos será estudado. Esse bastidor, não faz diferença para o TRE”, afirmou o desembargador, que fez questão de destacar que, para a Corte, o caso de Moro é apenas mais um. “Já tem sessão na semana que vem e esse caso é só mais um para ser estudado e julgado. É mais de um mês para ser estudado. É mais um para ser julgado, para a imprensa e para o Brasil é importante e para o TRE é mais um”, disse.
Sobre o perfil como jurista, José Rodrigo Sode afirmou que adota um tom moderador. “Moderação, que traz dialogo e faz ouvir os colegas com mais experiência. Ouvir partes e advogados, porque é mais fácil acertar assim. É mais fácil errar quando você faz tudo sozinho”, afirmou ao Nosso Dia, para em seguida destacar a importância da Justiça Eleitoral para o país. “Indispensável. Sem a atuação da Justiça Eleitoral, o Brasil não teria passado por momentos tão difíceis como passou”, concluiu.
O presidente do TRE-PR, desembargador Sigurd Roberto Bengtsson, participou da posse e explicou que a Corte tem a mesma preocupação para julgar todos os casos, independente dos envolvidos.”Eu digo que desde o julgamento do mais humilde vereador, do mais humilde político, a nossa preocupação é a mesma”, falou.

A solenidade contou com a participação da Banda Fora da Pauta do TRE-PR, que executou a canção “Tocando em frente”, composição de Almir Sater, a pedido do desembargador eleitoral empossado.
Com a posse de Sade, o TRE estará com o quórum completo para julgar as ações que vão definir o futuro político de Moro. As ações que pedem a cassação do ex-juiz são movidas pelo PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, e pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), do presidente Lula. Se for condenado, Moro perde o mandato e pode ficar inelegível.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) é a favor da cassação por abuso de poder econômico nas eleições de 2022. O órgão afirma que os gastos na pré-campanha excederam o limite razoável. Inicialmente, o ex-juiz pretendia sair candidato a presidente. Para o MP, os investimentos desequilibraram a disputa ao Senado, depois que Moro decidiu mudar a estratégia e concorrer a senador.
m depoimento à Justiça Eleitoral, Moro negou que a pré-candidatura presidencial tenha impulsionado sua campanha ao Senado e que o movimento tenha sido premediato. “Eu já era sobejamente conhecido no Paraná ou no Brasil inteiro sem uma pré-candidatura presidencial”, afirmou na ocasião, referindo-se à Lava Jato que, em seus primeiros anos de existência, o colocou na condição de “herói” do combate à corrupção.
O senador também está na mira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Como mostrou o Estadão, ao mandar investigar o ex-juiz, o ministro Luis Felipe Salomão, corregedor nacional do CNJ, começa a pavimentar o caminho para uma possível cassação do mandato, com base no mesmo precedente que deixou Deltan Dallagnol inelegível.
O Conselho Nacional de Justiça investiga se Sergio Moro usou a magistratura com fins político-partidários e se cometeu irregularidades na gestão das multas dos acordos de delação e leniência homologados na Lava Jato.