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Deputados estaduais de diferentes partidos se manifestaram na tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) nesta terça-feira (10) contra a atitude do vereador de Curitiba Guilherme Kilter (NOVO), após a divulgação de um vídeo gravado por ele nos corredores da Casa envolvendo o deputado Renato Freitas (PT). Segundo os parlamentares, ele fez uma fake news ao afirmar que Freitas escapou do Conselho e Ética e não houve falta na reunião, mas um erro no sistema que fez com que deputados chegassem às 13h30 e não às 13h.
Parlamentares de siglas da direita e da esquerda criticaram a postura do vereador durante a sessão plenária. Nos discursos, os deputados afirmaram que a atitude, na tarde desta segunda-feira (9), foi desrespeitosa com integrantes do Legislativo estadual e classificaram a gravação como uma tentativa de “lacrar” nas redes sociais. Por conta do que aconteceu, ficou definido que apenas assessores e deputados poderão participar das comissões.
Assista as falas dos deputados:
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O deputado estadual Luiz Claudio Romanelli (PSD) foi o primeiro a falar sobre o tema e afirmou que o vereador desrespeitou os integrantes do Conselho de Ética e provocou parlamentares para gerar repercussão na internet. “Ontem nesta Casa houve uma reunião do Conselho de Ética. Um público externo a essa Casa, me refiro ao vereador de Curitiba Guilherme Kilter, desrespeitou todos os membros da comissão. Ele veio com o celular para dizer que deputados não estavam cumprindo o mandato e ainda agrediu com palavras desrespeitosas o deputado Renato Freitas, que teve serenidade para aturar a provocação”, disse Romanelli.
O parlamentar também pediu providências da presidência da Assembleia. “Quebra de decoro tem que ser tratado no âmbito do Poder Legislativo. Não é possível que venham aqui lacrar nas redes sociais. Peço como líder do PSD que seja feito alguma coisa contra este vereador”, completou.
A deputada estadual Marcia Huçulak (PSD) também criticou a publicação feita nas redes sociais e disse ter sido injustamente citada no vídeo. “Na rede social deste menino que não tem o que fazer na Câmara colocou meu nome como omissa. Eu tenho honradez e não vou aceitar isso nesta Casa. Foi humilhante e uma situação desrespeitosa com nosso deputado Renato Freitas”, afirmou. Segundo ela, houve apenas um desencontro de horário para o início da reunião do Conselho de Ética, por um erro no sistema.
Pedido de reação institucional
O líder da oposição na Alep, deputado Arilson Chiorato (PT), defendeu que a Assembleia se manifeste formalmente sobre o episódio. “Quero propor que a Assembleia represente contra isso. Não dá para aceitar a patifaria de vir aqui lacrar. Se a Casa não fizer, eu vou fazer. Aqui não se trata de PT, PL ou Partido Novo”, declarou.
Presidente da Alep também critica
O deputado estadual Ademar Traiano (PSD), que já teve embates com Freitas, afirmou que assistiu ao vídeo e classificou a situação como uma afronta ao Legislativo estadual. “Eu também assisti ao vídeo e vi o momento em que a deputada Márcia chegou à comissão. Houve um desencontro de horário. Mas não podemos admitir agressões a deputados ou ao advogado. É uma afronta à Assembleia”, afirmou.
Deputados da direita também se posicionam
O deputado Ricardo Arruda (PL) também criticou o comportamento do vereador e disse que a Assembleia precisa tomar providências. “Ele esteve em outras sessões também lacrando com o celular. A Casa tem que tomar uma atitude”, disse.
Já o deputado Denian Couto (Podemos) afirmou que, mesmo tendo divergências políticas com Renato Freitas, a situação registrada no vídeo não pode ser aceita. “Todos sabem da diferença que tenho contra o deputado Renato Freitas, mas o que vimos ontem é inaceitável. Minha solidariedade à deputada Márccia Huçulak. O vídeo gera fake news ao dizer que o deputado escapa do Conselho de Ética”, declarou.
Reação de Renato Freitas
Durante a sessão, o próprio Renato Freitas também comentou o episódio e criticou a abordagem feita pelo vereador. “Eu achei um absurdo. Não estava entendendo por que um rapaz sadio se joga na frente de um parlamentar para apanhar. Essa pessoa não tem condição de ser vereador”, afirmou.

Mudança nas reuniões
Após o episódio, o presidente da Alep, Alexandre Curi (PSD), informou que o caso acabou unindo deputados de diferentes correntes políticas. Segundo ele, para evitar novos episódios, as próximas reuniões deverão ser restritas a deputados e assessores.
A confusão começou após o vereador publicar um vídeo nos corredores da Assembleia criticando o adiamento de uma reunião do Conselho de Ética que analisaria processos envolvendo Renato Freitas.