
- Atualizado há 4 anos
A defesa do agente penal Jorge Guaranho, que matou o tesoureiro do PT (Partido dos Trabalhadores) em Foz do Iguaçu, oeste do Paraná, afirma que não houve motivação política no caso. Em entrevista ao Portal Nosso Dia, na tarde desta quarta-feira (13), a advogada Poliana Lemes Cardoso disse que a motivação foi outra.

“Não existe intolerância política de forma alguma. A motivação não foi essa. Ele retornou ao local em função da provocação do Marcelo, que jogou pedregulhos no carro dele. A intenção nunca foi matar o Marcelo, aconteceu algo circunstancial”, afirmou a advogada, que disse já ter conversado com a esposa de Guaranho, que estava no carro na primeira vez em que ele foi até o local da festa.
“Ela nos passou que não houve intolerância política”, resumiu a advogada, que preferiu não responder se a esposa de Guaranho testemunhou gritos do marido a favor do presidente Jair Bolsonaro, para provocar Arruda, que fazia a festa com temática relacionada ao PT e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Não posso falar sobre essas circunstâncias, porque não tive acesso ao inquérito e meu cliente está entubado”, pontuou Poliana, lamentando quem está querendo ‘ganhar’ politicamente com o caso. “Duas famílias devastadas e isso não está sendo respeitado”, concluiu ao Nosso Dia.
Entretanto, a Polícia Civil do Paraná tem como principal linha de investigação a intolerância política, tomando como base as imagens divulgadas e relatos de testemunhas já ouvidas.
Premeditado?
A Polícia Civil do Paraná investiga se o apoiador do presidente Jair Bolsonaro, Jorge Guaranho, premeditou a ida à festa de 50 anos do tesoureiro do PT (Partido dos Trabalhadores) em Foz do Iguaçu, oeste do Paraná, Marcelo Arruda. Na noite do último sábado (9), o agente penal federal matou o petista e ficou ferido na troca de tiros, após uma discussão por política.
A informação foi revelada pela jornalista Andréia Sadi, âncora do Estúdio i, na Globonews. De acordo com Sadi, uma testemunha contou à Polícia Civil que Guaranho esteve durante a tarde na sede da Associação Esportiva Saúde Física Itaipu (Aresf), de onde é diretor, participando de um churrasco e uma partida de futebol.
Durante o evento que participou, a testemunha revelou que Guaranho teria tido acesso às imagens de câmeras de segurança, que mostravam a decoração da festa com fotos do ex-presidente Lula e de símbolos que remetiam ao PT.
Com essa informação, a polícia, conforme Sadi, suspeita que o apoiador de Bolsonaro foi ao local de propósito na hora em que a festa acontecia, onde teria gritado ‘Aqui é Bolsonaro’ e xingado os participantes, com Arruda jogando pedregulhos contra o carro dele. O agente penal também teria ameaçado que voltaria à festa, o que de fato aconteceu quinze minutos depois.
Segundo o promotor de Justiça Tiago Lisboa Mendonça, que acompanha o caso, a esposa do agente penal afirmou que foi até a associação porque costumava fazer rondas ao final de semana. Ela não confirmou a versão de que Guaranho sabia que aconteceria uma festa em com a temática de esquerda.
A expectativa é de que o inquérito policial seja concluído até a próxima terça-feira (19). Guaranho está sedado em assistência ventilatória mecânica, hemodinamicamente estável. Não há previsão de alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI).