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Soluções sustentáveis de drenagem fazem parte da estratégia escolhida pela Prefeitura de Curitiba para enfrentar um problema histórico de alagamentos no Cajuru, região bastante afetada nos episódios de chuvas fortes.
A obra está em execução na Rua Euclides Taborda Ribas, desde a segunda semana de abril. Neste momento, é feita a implantação de uma nova rede de galerias de águas pluviais com um sistema complementar de retenção e infiltração, que vai ampliar significativamente a capacidade de escoamento em dias de chuva. Depois, serão construídas calçadas drenantes, solução que permite a infiltração da água no solo, reduzindo o volume direcionado às galerias.
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Sob a coordenação do Departamento de Pontes e Drenagem da Secretaria Municipal de Obras Públicas, a intervenção tem investimento de R$ 770 mil e integra o Programa de Requalificação e Obras de Curitiba, o PRO Curitiba.
Os trabalhos estão na fase inicial. Sob os tubos de concreto da rede de drenagem está sendo feito um berço de brita, formando uma camada granular que auxilia na absorção de parte da água. O dispositivo vai funcionar como um “amortecedor hidráulico”, armazenando temporariamente o excedente e diminuindo a velocidade e o volume da água que segue pela tubulação. A medida vai contribui para aliviar o sistema durante eventos de chuva mais intensa.

A etapa seguinte será a implantação das calçadas drenantes, feitas com materiais que permitem a infiltração da água da chuva no solo. A calçada será formada por uma camada superior de concreto poroso, capaz de permitir a passagem da água, associada a um lastro de brita logo abaixo, que funciona como um pequeno reservatório temporário. O conjunto permite que a água da chuva infiltre gradualmente no solo e seja liberada de forma controlada, contribuindo para reduzir o escoamento superficial.
As calçadas drenantes fazem parte de um projeto-piloto do município, que avalia a eficiência e a durabilidade desse tipo de infraestrutura na cidade. A proposta está alinhada a soluções modernas de drenagem, que combinam engenharia tradicional com estratégias mais sustentáveis de manejo das águas pluviais.
O projeto foi desenvolvido pelo engenheiro da Prefeitura Vinicios Hyczy do Nascimento. Ele explica que o uso combinado dessas soluções representa um avanço importante na forma como a cidade lida com as águas pluviais.
“Além de ampliar a capacidade de escoamento, estamos incorporando mecanismos que permitem reter e infiltrar parte da água ainda na origem. Esse sistema funciona como um amortecimento adicional, reduzindo picos de vazão e tornando a rede mais eficiente, especialmente durante chuvas intensas”, destaca Nascimento.
Também fará parte da obra a implantação de duas pequenas bacias de detenção com capacidade para 260 m³ de água. As duas estruturas vão funcionar como reservatórios temporários, armazenando parte da água das chuvas e liberando-a de forma controlada. Esse mecanismo contribui diretamente para a diminuição dos picos de vazão e, consequentemente, para a mitigação de alagamentos.
A previsão de execução da obra é de aproximadamente 90 dias, dependendo das condições climáticas.
De acordo com Paulo Vitor Lucca, diretor do Departamento de Pontes e Drenagem da Secretaria Municipal de Obras Públicas (Smop), a expectativa é proporcionar mais segurança, conforto e qualidade de vida aos moradores do Cajuru, além de reduzir os impactos causados pelas chuvas na região.
“A iniciativa integra o conjunto de ações estruturantes do município voltadas à melhoria do sistema de drenagem urbana e à adaptação da cidade a eventos climáticos cada vez mais intensos. Estamos testando esse modelo híbrido que combina ações de drenagem tradicional com elementos de retenção e infiltração como são as calçadas permeáveis, os reservatórios”, diz Lucca.
Para a moradora Nair Serino Freire, que está no barro há 40 anos, a movimentação da equipe de trabalho na rua é a certeza de que os dias de chuva não serão mais uma preocupação.
“Essa é uma obra importante para não ter mais alagamento. A água entra nas casas, molha, a gente tem que erguer tudo e aquilo que a gente não consegue erguer estraga. Eu fiquei muito feliz e passei ali para ver. A minha expectativa é que fique bom, 100%”, disse a moradora.
*Com informações da Prefeitura de Curitiba