PUBLICIDADE
Curitiba /
DIA A DIA

Curitiba 333 anos: mercado imobiliário aquecido na capital paranaense expõe novos desafios aos condomínios

Luis Gustavo Stremel, advogado especializado em direito condominial, aponta impactos da expansão imobiliária na segurança, mobilidade e gestão urbana
Foto: Pedro Ribas/SECOM
Luis Gustavo Stremel, advogado especializado em direito condominial, aponta impactos da expansão imobiliária na segurança, mobilidade e gestão urbana

Redação Nosso Dia

21/03/26
às
9:33

- Atualizado há 30 segundos

Compartilhe:

No dia 29 de março, Curitiba completa 333 anos, e o avanço do mercado imobiliário ajuda a contar a história recente da cidade, marcada por verticalização planejada, valorização imobiliária e expansão de condomínios.

Hoje, Curitiba figura entre as capitais com o metro quadrado mais valorizado do país e ocupa posição de destaque nacional em lançamentos imobiliários. A cidade mantém um ritmo médio de cerca de 10 mil novas unidades por ano, o que pode resultar em até 50 mil novos imóveis até 2030, distribuídos em centenas de novos empreendimentos.

Esse crescimento, no entanto, vem acompanhado de uma série de desafios que impactam diretamente a vida em condomínio, como segurança, convivência e lacunas regulatórias.

Para receber as principais informações do dia pelo WhatsApp entre no grupo do Portal Nosso Dia clicando aqui

“O modelo urbano de Curitiba, com plano diretor rígido e crescimento concentrado nos eixos estruturais, contribuiu para uma cidade organizada, mas também trouxe uma alta valorização e uma densidade maior em determinadas regiões. Isso pressiona a convivência e a gestão dentro dos condomínios”, explica Luis Gustavo Stremel.

Entre os principais pontos de atenção, especialistas destacam a violência urbana, que passou a ser uma preocupação constante, inclusive dentro de condomínios. Casos de invasões e acesso irregular a condomínios vêm sendo registrados com mais frequência na cidade. “Os condomínios não estão isolados dos problemas urbanos. Situações como invasões mostram que é preciso investir não só em estrutura, mas em gestão e prevenção jurídica”, afirma.

Outro ponto que ganha relevância no quesito segurança é a integração dos condomínios com a chamada muralha digital, sistema de monitoramento urbano que utiliza câmeras para reforçar a segurança pública. “As câmeras dos condomínios passaram a ter um papel importante na segurança da cidade. Existe uma tendência de integração cada vez maior com sistemas públicos, o que exige atenção jurídica sobre uso de dados e responsabilidade”, completa.

Além disso, novas demandas surgem com a transformação do perfil urbano, como a falta de regulamentação clara para carregamento de veículos elétricos em condomínios, tema que já gera conflitos entre moradores. “A mobilidade elétrica já é uma realidade, mas ainda carece de regras bem definidas dentro dos condomínios, o que pode gerar disputas e insegurança jurídica”, pontua.

Outro desafio frequente envolve obras vizinhas e impactos estruturais, uma preocupação crescente em regiões com alta densidade construtiva. “Obras ao lado de condomínios exigem cuidados técnicos e jurídicos. Danos estruturais e conflitos entre vizinhos são mais comuns do que se imagina”, alerta o especialista.

Com o aumento da densidade populacional em condomínios, cresce também a complexidade da convivência entre moradores. Questões como barulho, uso de áreas comuns, obras internas e até o compartilhamento de espaços se tornam mais frequentes e sensíveis. Nesse cenário, o papel do síndico ganha ainda mais relevância, exigindo não apenas conhecimento técnico, mas também habilidade de mediação e gestão de conflitos.

“O síndico hoje precisa atuar como um gestor completo. Ele lida com questões jurídicas, administrativas e humanas ao mesmo tempo. Em um ambiente mais denso e diverso, a capacidade de mediar conflitos e aplicar regras com equilíbrio é fundamental para manter a harmonia no condomínio”, destaca Stremel.

TÁ SABENDO?

DIA A DIA

© 2024 Nosso dia - Portal de Noticias