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Uma investigação da Polícia Civil do Paraná (PCPR) revelou detalhes do funcionamento de uma associação criminosa que aplicava golpes em vítimas com promessas de crédito facilitado para compra de imóveis e outros bens, em Curitiba. Ao todo, 25 pessoas foram presas em flagrante durante a operação realizada nesta semana.
De acordo com a delegada Fernanda Moretzsohn, o esquema começou a ser desvendado após uma série de denúncias de vítimas que procuraram a polícia relatando prejuízos financeiros após negociações iniciadas pela internet. As investigações apontaram que o grupo mantinha dois escritórios em um prédio no Centro da capital, estruturados especificamente para aplicar estelionatos.
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Segundo a delegada, a organização criminosa tinha divisão de tarefas bem definida. “Havia equipes responsáveis por criar anúncios falsos, outras para divulgar, outras para atrair clientes e levá-los até o escritório, além de vendedores e um setor de pós-venda”, explicou.
O golpe começava com anúncios atrativos em sites e redes sociais, oferecendo imóveis, maquinários agrícolas ou caminhões com condições muito abaixo do mercado. “Eles divulgavam ‘crédito facilitado’, financiamentos com parcelas baixas, mas em nenhum momento deixavam claro que se tratava de consórcio”, destacou.
Ao demonstrar interesse, a vítima era convidada a ir até o escritório. No local, segundo a delegada, começava um processo de convencimento com forte pressão psicológica. “Duas ou três pessoas ficavam em cima da vítima, reforçando que se tratava de uma oportunidade única, com entrada alta e parcelas baixas. Isso gerava entusiasmo e diminuía a desconfiança”, afirmou.
Durante a assinatura do contrato, muitas vítimas percebiam a menção a consórcio, mas eram tranquilizadas pelos golpistas. “Eles diziam que aquilo era ‘mera formalidade’ e que, na prática, era um financiamento. Isso não era verdade”, disse.
Ainda conforme a investigação, os contratos incluíam valores superiores aos combinados inicialmente e, em alguns casos, mais de um consórcio era embutido sem o conhecimento da vítima. Após o pagamento da entrada — geralmente via PIX — e assinatura, entrava em ação a equipe de pós-venda, responsável por manter contato e ganhar tempo. “Eles enrolavam a vítima, alegando pendências de documentação, até que ela percebesse o golpe”, explicou a delegada.
A PCPR também identificou a participação de adolescentes no esquema. Cinco menores foram apreendidos. Eles atuavam principalmente na criação de anúncios e no primeiro contato com as vítimas, seguindo uma espécie de “cartilha” para atrair clientes.
Os prejuízos são elevados. Segundo a delegada, há vítimas que perderam mais de R$ 60 mil apenas na entrada, além de parcelas mensais que continuaram sendo cobradas. A polícia ainda apura o número total de pessoas lesadas.
A orientação é que consumidores desconfiem de ofertas muito vantajosas, especialmente quando envolvem crédito facilitado mesmo com restrições no nome. “É fundamental ler o contrato com atenção e não acreditar quando dizem que algo é ‘mera formalidade’. O que vale é o que está escrito”, alertou.
A delegada também reforçou que, ao perceber o golpe, a vítima deve agir rapidamente. “É importante procurar a instituição financeira, porque existe um mecanismo do Banco Central que pode bloquear valores transferidos via PIX, reduzindo o prejuízo”, disse.
As investigações continuam para identificar outros envolvidos e ampliar o mapeamento do esquema criminoso.