
- Atualizado há 2 dias
O desaparecimento de Roberto Farias no Pico Paraná, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, mobilizou uma das operações de busca mais complexas já registradas no Paraná. Segundo o tenente-coronel Gabriel, do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná, o jovem percorreu cerca de 20 km por uma área extremamente perigosa, expondo-se a riscos elevados durante o deslocamento.
O jovem de 19 anos foi localizado com vida na manhã desta segunda-feira (5) em Cacatu, na cidade de Antonina, no Litoral do Paraná. De acordo com o oficial, os primeiros dias de trabalho foram concentrados em pontos onde normalmente ocorrem quedas. No entanto, diante da ausência de vestígios nesses locais, a estratégia precisou ser revista, acreditando-se que o jovem estavam em movimento.
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“Situação bastante complexa. Concentramos os dois primeiros dias em locais de possíveis quedas. Ao não localizar, passamos para áreas de onde ele estivesse andando. Ele sofreu bastante risco e não imaginávamos que ele fosse tão longe”, explicou o tenente-coronel.
Conforme o comandante, a área do Cacatu passou a ser considerada prioridade nas buscas. O local é conhecido por trilhas difíceis e pela presença de rios, bastante procurados para atividades de boia-cross. “O Cacatu é um rio famoso, onde se desce de boia. Em linha reta são 20 quilômetros. Mas ele desceu uma escarpa muito perigosa e conseguiu fazer isso sozinho, passando por rios bastante cheios”, detalhou.
A informação surpreendeu as equipes, já que, segundo os bombeiros, nunca havia sido registrado um caso semelhante no Pico Paraná, com uma vítima avançando tão longe em meio a terreno técnico, mata fechada e cursos d’água volumosos. Durante a operação, os bombeiros trabalharam com a hipótese de que Roberto estivesse caminhando e tivesse acesso à água, o que aumentaria suas chances de sobrevivência. Ainda assim, localizar o jovem em uma área tão extensa e acidentada foi descrito como “procurar uma agulha no palheiro”.
“A gente vai conversar com ele para entender qual caminho seguiu, até para saber o que aconteceu. Nunca tínhamos atendido uma vítima que foi tão longe aqui no Pico Paraná”, afirmou o tenente-coronel Gabriel.
O oficial também fez um alerta importante a praticantes de trilhas e montanhismo. Segundo ele, Roberto e a amiga não realizaram cadastro prévio, já que o parque estava fechado no momento da subida. Além disso, o bombeiro reforçou recomendações básicas de segurança.
“Ir com guia, não deixar o celular para trás, porque muitas áreas dão sinal. E, principalmente, se perceber que está perdido, fique parado. Quanto mais anda, mais complexo fica”, orientou.