
- Atualizado há 4 anos
“Eles estão comendo ‘O Pão Que o Viado Amassou’. Ao dizer a frase a uma amiga por telefone, Gabriel Castro, de 35 anos, percebeu que poderia empreender e ainda trazer à tona a discussão sobre a realidade LGBTQIA+. Com uma receita de sucesso em mãos, começou como delivery no primeiro semestre de 2020 e, em pouco mais de um ano, abriu uma loja física em Curitiba, no bairro Rebouças. Foi erro atrás de erro até achar a ‘receita’ certa para conseguir empreender.

“Eu sou ator e nunca trabalhei com pão. Com a pandemia, ficando mais em casa, comecei a fazer mais comida. Assim, fomos descobrindo coisas novas para cozinhar. O primeiro pão que fiz não deu certo, então fui fazendo outros e foi dando certo e ficando gostoso. Nesta de compartilhar o pão, começaram a falar para eu vendê-lo”, contou Gabriel ao Nosso Dia.
Ao conversar com uma amiga por telefone, veio a ideia de ir além de vender o pão de cada dia. “Eu morava com dois amigos e conversava com uma amiga pelo telefone, quando ela perguntou o que eles estavam fazendo. Aí eu disse, ‘agora estão comendo o pão que o ‘viado amassou’. Aquilo caiu tão bem aos meus ouvidos que eu pensei em uma forma de fazer o pão para vender e ainda abrir o diálogo para um assunto tão importante que é a realidade LGBTQIA+”, destacou.
Para o negócio tomar um rumo, Gabriel precisou de muita dedicação até encontrar a receita certa. “Foi fruto de muita pesquisa, tentativa e erro e erro de novo. Hoje, com a loja, tenho mais possibilidade de cardápio com a fermentação natural, que antes nem sabia como se fazia. Tento fazer um pão novo quando posso, me desafiar por meio dele, que é o que a marca se propõem”, contou.

O sucesso dos pães faz com que o primeiro pedido nunca seja o último, garante a cliente Fernanda Machado. “Eu sempre costumo frequentar o local. É uma delicia e sempre somos muito bem atendidos. Eu recomendo para quem não pôde comparecer ainda. Além de toda a temática envolvente que o local tem”, disse ela ao Nosso Dia.
A abertura da loja física, em outubro de 2021, se deu pelo sucesso obtido com o trabalho, pela dedicação de Gabriel em fazer diferente. “Agora estou compreendendo o que é uma loja física, com um estande para preencher, atender público no local. É um novo formato e está sendo uma coisa muito gostosa. Você tem o contato direto com as pessoas e cria uma relação muito gostosa. As pessoas também querem fazer parte da ideia de ampliar a visibilidade do público LGBTI+. Isso tem sido cada vez mais gostoso e construtivo”, ressaltou.
Hoje na loja física o cardápio tem opções como o ‘Kit Gay’, que a cada semana tem um ‘combo’ diferente. Apesar de saber que há pessoas que vem o trabalho dele com preconceito, Gabriel disse que essa parcela é insignificante. “Preconceito sempre tem, mas acontece tão pouco. O pão me deu aliados e são muito mais significativos. Têm comentários bestas, mas a gente prefere até nem considerar”, pontuou.

Com um bom pão, nada melhor que um café preto para acompanhar. E ele foi fundamental para Gabriel empreender. “A gente dorme muito pouco, viu, mas depois vale a pena. Agora, o discurso de que é difícil empreender não cola, isso foi inventado para que outras pessoas não tomem conta do próprio nariz. Não tenham orgulho ou medo, acreditem. Se abram as possibilidades e dúvidas, sem encarar um desacerto no começo como o fim do mundo “, afirmou.
Ele ainda pediu para não se desapontar com as coisas que possam dar errado. “O pão de hoje não vai ser melhor da nossa vida, porque cada dia é um novo aprendizado e processo. Acredite sempre. Isso vale para o pão e para qualquer outro negócio”, concluiu.