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Com homenagem à vítima de feminicídio, Rio Branco do Sul ganha Centro de Referência de Atendimento à Mulher

A prefeita Karime Fayad destacou que a criação do CRAM é uma escolha pessoal, voltada à proteção das mulheres do município
Prefeita Karime com quadro em homenagem a Isabele (Foto: Reprodução)
A prefeita Karime Fayad destacou que a criação do CRAM é uma escolha pessoal, voltada à proteção das mulheres do município

Redação Nosso Dia

01/04/26
às
11:30

- Atualizado há 1 minuto

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A Prefeitura de Rio Branco do Sul inaugurou nesta semana o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) Isabele Bonfim, o primeiro equipamento público do tipo no município e o maior investimento já realizado pela cidade nessa área, com R$ 513.425,00 destinados à estrutura permanente de proteção às mulheres.

O espaço leva o nome de Isabele Raiane de Bonfim, jovem de 17 anos, grávida de oito meses, vítima de feminicídio em junho de 2025. Ela foi assassinada com um tiro na cabeça pelo companheiro, que estava foragido. A bebê também não resistiu. O caso gerou forte comoção na cidade e agora dá nome a um equipamento voltado justamente à prevenção de novas violências.

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A prefeita Karime Fayad destacou que a criação do CRAM é uma escolha pessoal, voltada à proteção das mulheres do município. “Eu escolhi isso, escolhi como mulher poder deixar um lugar que acolhe as suas mulheres, que porventura passem por alguma dificuldade, alguma agressão física ou psicológica. A gente evita que outras Isabeles venham a falecer por serem mulheres”, afirmou.

Ela também ressaltou a gravidade do cenário da violência de gênero no país. “Quatro mulheres sendo mortas por dia só por serem mulheres, isso é um absurdo. Essa é uma das maiores bandeiras que eu levanto hoje, a luta contra o feminicídio e a proteção às mulheres”, disse.

Sobre o funcionamento do espaço, a prefeita explicou que o CRAM oferecerá acolhimento completo. “A mulher vai poder procurar esse espaço e aqui ela vai ser ouvida, com psicólogo, assistência social, orientação. Teremos até um quarto para acolher essa mulher, se necessário, além de oficinas e cursos para garantir independência econômica, que muitas vezes é o que impede a mulher de sair de uma situação de violência”, completou.

Durante a inauguração, a emoção marcou a fala de Fátima Bonfim, que relembrou a trajetória da sobrinha Isabele. “Ela tinha o sonho de ser policial. Era uma menina doce, amorosa, só pensava no bem. Eu jamais imaginava que ela seria vítima de feminicídio”, disse, emocionada.

Assista ao vídeo:

Fátima também destacou o significado da homenagem. “Hoje, esse espaço leva o nome dela. Eu tenho certeza que, onde ela está, ela está feliz. Que esse seja um lugar de conforto para as mulheres e que nenhuma outra passe pelo que aconteceu com a minha sobrinha”, afirmou. Ela ainda cobrou justiça: “Ela não merecia. Foi uma maldade muito grande”.

O CRAM é um serviço público gratuito e sigiloso que oferece acolhimento humanizado, acompanhamento psicológico e assistência social, além de orientação jurídica, inclusive sobre medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha. O centro também atua em articulação com delegacias, unidades de saúde e demais serviços da rede de proteção.

Dados reforçam a importância da iniciativa. Segundo o Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal, o Brasil registrou 718 feminicídios apenas no primeiro semestre de 2025, média de quatro mulheres assassinadas por dia. No total do ano, foram 1.568 vítimas, o maior número da última década. No Paraná, houve 179 casos de feminicídio consumado e tentado no mesmo período.

Com a inauguração em Rio Branco do Sul, o município passa a integrar a rede de cidades da Região Metropolitana de Curitiba que contam com esse tipo de serviço, ao lado de Araucária, Pinhais e Quatro Barras, além da Casa da Mulher Brasileira, na capital. O objetivo é ampliar a rede de proteção e oferecer suporte para que mais mulheres consigam romper o ciclo da violência.

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