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Cientistas encontram microplásticos no cérebro humano; entenda

Essa área do cérebro em que as partículas estavam é a responsável por elaborar as impressões olfatórias e, por isso, os pesquisadores acreditam que substâncias tenham entrado no cérebro pela via nasal
Essa área do cérebro em que as partículas estavam é a responsável por elaborar as impressões olfatórias e, por isso, os pesquisadores acreditam que substâncias tenham entrado no cérebro pela via nasal

Estadão Conteúdo

19/09/24
às
7:16

- Atualizado há 1 ano

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A análise do cérebro de 15 pessoas mortas revelou microplásticos no chamado bulbo olfatório. O resultado é fruto de uma pesquisa entre a Universidade São Paulo (USP) e a Universidade Livre de Berlim, publicada no jornal científico JAMA Network Open.

Essa área do cérebro em que as partículas estavam é a responsável por elaborar as impressões olfatórias e, por isso, os pesquisadores acreditam que substâncias tenham entrado no cérebro pela via nasal, através da inalação de microplásticos presentes no ar. O bulbo olfatório também está atrelado a outras estruturas cerebrais importantes, permitindo, por exemplo, a associação entre determinado odor e o aumento do apetite ou a evocação de uma memória.

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Segundo a líder da pesquisa, Thais Mauad, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), danos nessa área prejudicam o olfato, mas ainda não há evidências se o efeito da presença de microplásticos seria capaz de levar a alguma doença olfativa ou neurológica. Apenas com novos estudos será possível determinar quais são os danos provocados por esses intrusos na região.

“O ingresso dos nanoplásticos pelas vias olfativas é preocupante, devido à capacidade de tais partículas serem internalizadas pelas células e interferirem no metabolismo celular. O risco pode ser maior em crianças, que têm o cérebro em desenvolvimento, com o potencial de causar alterações definitivas na vida adulta”, alerta a pesquisadora.

Os 15 cérebros analisados na pesquisa eram de paulistanos, com profissões diferentes e que morreram principalmente por causas ligadas ao pulmão e ao coração. A análise, feita no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas, identificou fibras e partículas de microplásticos em oito deles. O plástico mais comum encontrado foi o polipropileno, usado tipicamente em roupas, embalagens de alimentos e garrafas.

Porta de entrada

A cientista lembra que esses mesmos microplásticos já foram encontrados em diversas partes do corpo, mas é a primeira vez que descobrem que as partículas podem ultrapassar a chamada barreira hematoencefálica (BHE). “Trata-se de uma barreira entre o sangue e os tecidos encefálicos. Ela é especial para garantir mais proteção”, explica.

Como as partículas estavam no bulbo olfatório, a hipótese principal é de que tenham sido inaladas.

Mas não é só pela respiração que os microplásticos podem entrar no corpo. “Também há estudos em camundongos mostrando que há absorção até pela ingestão”, acrescenta a pesquisadora.

Uma vez inalados ou ingeridos, esses plásticos minúsculos caem na circulação e viajam pelo corpo.

A descoberta reforça que o uso exacerbado dos plásticos está, de alguma forma, mudando a natureza – nos mares, por exemplo, já se sabe que esses materiais, que demoram cerca de 500 anos para se decompor, provocam a morte de animais. Entre seres humanos, algumas consequências da exposição aos plásticos e seus aditivos incluem distúrbios endócrinos, diminuição da fertilidade e doenças cardíacas.

O estudo foi apoiado pela Plastic Soup Foundation, instituição membro do Plastic Health Council. Este grupo, composto por cientistas, líderes e ativistas, trabalha para assegurar que o Tratado Global de Plásticos da ONU aborde os impactos na saúde humana.

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