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Cidade de SC terá engorda de praia 3 vezes maior do que Balneário Camboriú; veja como será

Itapoá, na divisa com o Paraná, receberá 6,4 milhões de metros cúbicos de sedimentos de uma dragagem portuária; especialista aponta necessidade de combater causas da erosão costeira
Dragagem e aprofundamento do canal de acesso à Baía da Babitonga aumentarão capacidade do Porto Itapoá e permitirão alargamento da faixa de areia de três praias. Foto: Porto de Itapoá/Divulgação
Itapoá, na divisa com o Paraná, receberá 6,4 milhões de metros cúbicos de sedimentos de uma dragagem portuária; especialista aponta necessidade de combater causas da erosão costeira

Estadão Conteúdo

31/08/25
às
13:47

- Atualizado há 2 horas

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A areia virá da Baía da Babitonga, trecho de água que separa o município da cidade vizinha, São Francisco do Sul. Serão retirados 12,5 milhões de metros cúbicos de areia do canal que dá acesso aos portos das duas cidades e, em vez de o material ser descartado no mar, metade dele será levado para o alargamento das praias. O objetivo da obra é aumentar a largura e a profundidade do canal para permitir que navios maiores acessem o complexo portuário.

O canal passará de 14 para 16,5 metros de profundidade e a largura aumentará de 160 para 260 metros, chegando a 280 metros em trechos com curvas. A obra permitirá a atracação e operação de embarcações de 366 metros de comprimento, sendo o primeiro porto do Brasil com capacidade para navios desse porte com carga máxima.

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Itapoá fica na divisa entre Santa Catarina e Paraná, a cerca de 260 km da capital, Florianópolis, e 169 km de Balneário Camboriú. O município é um dos que mais sofre com a erosão costeira no Estado. A areia retirada do fundo do canal será depositada em três praias do município que sofrem com o problema: Figueira do Pontal, Pontal do Norte e o trecho sul do Balneário Princesa do Mar.

A obra de dragagem do canal externo da Baía da Babitonga tem previsão de início para setembro, mas depende da emissão da ordem de serviço. A expectativa é de que a escavação da baía e o aterramento das praias levem 13 meses.

O investimento para a obra será de R$ 336 milhões com recursos vindos das iniciativas pública e privada, com envolvimento do Porto de Itapoá, SCPar, responsável pela gestão do Porto de São Francisco do Sul, que pertence ao governo do Estado.

Juntos, os dois portos do complexo da Baía da Babitonga já são responsáveis pelo transporte de 8,2 milhões de toneladas por ano, cerca de 60% de todo o movimento portuário em Santa Catarina, de acordo com o governo do Estado. Com as obras no canal, e a expansão da estrutura, a expectativa é de que esse porcentual cresça ainda mais.

Segundo o governo do Estado, atualmente, no Complexo Portuário da Baía da Babitonga, somente é possível a atracação de embarcações com até 336 metros, com capacidade para até 10 mil TEUs (unidade de medida equivalente a um contêiner de 20 pés). Com a obra, essa capacidade aumentará para 16 mil TEUs.

“Estamos nos preparando para o futuro e garantindo uma competitividade que vai desenvolver toda a região”, diz o governador Jorginho Mello (PL).

Impactos para as praias engordadas

Para o professor e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Oceanografia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Pedro Pereira, a obra é importante para a recuperação ambiental na região. “Se não se tem mais praias nem dunas, não é possível encontrar espécies costeiras como crustáceos, mariscos, aves, entre outras. A recuperação dessas praias devolverá espaço para o restabelecimento do ecossistema praial.”

Apesar dos benefícios, Pereira ressalta que só o engordamento da faixa de areia não é o suficiente. “A causa da erosão não está sendo combatida e continuará removendo a areia da praia. Para encontrar uma solução é preciso fazer uma série de estudos locais e ou regionais, o que não é feito”, completa.

Além disso, obras como essa também podem trazer impactos negativos para as praias engordadas. Pereira destaca a possibilidade do aumento de riscos de afogamento, caso a obra não seja feita da maneira correta.

Para evitar a degradação ambiental e o risco aos banhistas, as prefeituras de Itapoá e São Francisco do Sul desenvolveram um plano de monitoramento em conjunto com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), que será seguido por dois anos após o início das obras. O programa inclui o monitoramento da qualidade dos sedimentos, da água, e se preocupa em manter a fauna e flora da região, sem impactar as atividades de pesca artesanal nas cidades próximas.

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