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A transição energética no transporte coletivo brasileiro avança como uma agenda estratégica para as cidades, impulsionada por metas de redução de emissões e pela necessidade de modernização dos sistemas urbanos. O assunto foi tema de um encontro promovido pelo Instituto Brasileiro de Estudos Técnicos Avançados (IBETA) e que reuniu especialistas nesta sexta-feira (27), no Habitat Mobilidade da FIEP, em Curitiba.
O encontro “Café, Conteúdo e Conexões”, conduzido por Fábio Alexandre Siebert, conselheiro do IBETA, trouxe como convidados o diretor comercial da Agrale, Edson Ares Sixto Martins, e a vice-presidente da CWBUS, Sueli Gulin Calabrese, que representa os operadores do serviço de transporte de passageiros em Curitiba. O evento integrou a programação paralela do Smart City Expo Curitiba 2026 e reuniu cerca de 50 participantes, entre gestores públicos, operadores e representantes da indústria, para discutir alternativas energéticas no transporte de passageiros e o avanço da descarbonização.
Siebert destacou que o avanço da mobilidade sustentável exige integração entre diferentes agendas urbanas e depende, principalmente, da capacidade de estruturar soluções tecnicamente viáveis e financeiramente sustentáveis, como o uso do biometano e do gás natural (GNV). “O debate envolve planejamento das cidades, uso de dados, aproveitamento de resíduos e eficiência dos investimentos. Para avançar, é preciso garantir viabilidade técnica e financeira para os municípios”, afirmou.
Na avaliação de Marcello Lauer, conselheiro do IBETA, o avanço da descarbonização exige decisões públicas mais bem fundamentadas. “O grande desafio hoje não é escolher a tecnologia, mas garantir que as decisões sejam tomadas com base em dados e critérios claros. Sem isso, o risco é investir alto em soluções que não se sustentam ao longo do tempo”, afirmou.
TECNOLOGIA
Durante o encontro, foi apresentado um ônibus movido a biometano desenvolvido pela Agrale, tecnologia já adotada em algumas cidades brasileiras. O modelo utiliza combustível gerado a partir de resíduos orgânicos e pode reduzir significativamente as emissões de poluentes, além de diminuir custos operacionais.
Para o diretor comercial da Agrale, Edson Ares Sixto Martins, a transição energética no setor de transporte de passageiros não deve se apoiar em uma única solução. “O biometano é uma alternativa estratégica porque conecta mobilidade, saneamento e gestão de resíduos. O avanço passa por rotas tecnológicas complementares, avaliadas com base em escala, custo e impacto real”, disse.
Segundo o diretor da Agrale, modelos como o MA 11.0 podem alcançar uma redução significativa nas emissões quando abastecidos com biometano, além de operar com menor ruído e custo inferior ao diesel.
De acordo com Sueli Gulin Calabrese, a vice-presidente da CWBUS, a adoção de novas tecnologias depende da capacidade operacional das cidades. “Estamos abertos a testar diferentes soluções, mas a transição exige infraestrutura e adaptação. Não se trata apenas de substituir veículos, mas de preparar todo o sistema”, explicou.
Ela citou a experiência recente com ônibus elétricos em Curitiba, que demandou adequações operacionais e investimentos em estrutura. Segundo a executiva, o setor deve avançar de forma gradual, com avaliação prática das tecnologias disponíveis.
Fábio Siebert pontuou que o encontro também funcionou como espaço de articulação entre empresas, operadores e poder público, com foco na construção de soluções aplicáveis no curto e médio prazo. “A proposta é aproximar tecnologia, modelos de negócio e capacidade operacional das cidades, reduzindo a distância entre inovação e implementação, que hoje é um dos principais entraves para a modernização do transporte coletivo no país”, salientou.
SOBRE O IBETA
O Instituto Brasileiro de Estudos Técnicos Avançados (IBETA) é uma instituição especializada em análise econômica, financeira e operacional aplicada a concessões públicas e projetos de infraestrutura. Com atuação em áreas como mobilidade urbana, gestão pública e parcerias público-privadas, o instituto desenvolve soluções baseadas em dados, governança de contratos e verificação independente, contribuindo para maior eficiência, transparência e qualidade na prestação de serviços públicos.