
- Atualizado há 4 anos
No ano em que o país completa 200 anos de sua independência, a escritora petropolitana Ivna Chedier Maluly lança o livro “Memórias de D. Pedro, o último imperador do Brasil”, no dia 9 de agosto, terça-feira,
às 17h30, no Hall da Biblioteca Pública do Paraná.

Na obra, que mescla passagens da história da monarquia no Brasil com ficção, a autora dá voz à estátua de D.Pedro II instalada nos jardins do Museu Imperial em Petrópolis. Ali, no coração de seu palacio de verão, o imperador por meio de reflexões post mortem faz uma mea culpa acerca de suas atitudes políticas, além de expor seus desejos mais íntimos, os quais o destino traçado desde a infância o impediu de vivenciar.
“Meus pés estão fincados neste jardim Tropical. Nem consigo movê-los, nem posso. Há também crianças, muitas. Algumas gostam de subir em cima de mim para puxar a minha barba de bronze, como se deveras barba fosse. Outras acariciam minhas botas. Estas que marcharam nos campos sangrentos da Guerra do Paraguai”, um dos trechos da nova publicação sobre o antigo imperador.
No livro, os leitores conhecerão algumas particularidades sobre o monarca, fundador de Petrópolis, a única cidade imperial da América Latina. O glutão, que solicitava diariamente, cinco a seis vezes por dia canja de galinha, trouxe para o Brasil o primeiro telefone depois de conhecer pessoalmente o cientista escocês Graham Bell, preferia ser professor a ter que governar o Brasil, e ficou orfão de pai e de mãe na pequena infância.

Outro trecho em destaque no livro de Maluly é a mea-culpa que o imperador faz referente à ecravidão. “Outro erro me persegue: a escravidão. Eu era contra; no entanto, quase nada fiz para aboli-la. Não consegui. Cedi à pressão do parlamento. E acedi à desumanização”.
Segundo Maluly, o interesse em criar a obra veio depois da admiração que adquiriu quando passou a conhecer um pouco mais a história de D.Pedro II, e após ir morar na Europa. A autora considerava os jardins do Museu Imperial uma extensão da sua casa, já que viveu sua infância brincando entre as árvores e a estátua do imperador. “Eu senti que precisava escrever alguma coisa sobre esse grande personagem que conseguiu pensar o Brasil como um todo”, revela. Ivna conta ainda que resolveu personificar a estátua do imperador para tornar a leitura mais cativante aos jovens leitores”.
Para Ivna, lançar um livro na Biblioteca Pública é um privilégio, tendo em vista que “o espaço contribui para a democratização do acesso e difusão de informações gratuitamente, contribuindo para diminuir as desigualdades existentes na nossa sociedade”.
“Com todos os seus defeitos e qualidades, a majestade foi prisioneira do seu próprio destino, mas cumpriu sua tarefa de governar até o final. As memórias de D.Pedro II estão nesse livro, mas também poderiam ser as minhas”, conclui a literata, que deixou sua cidade natal de Petrópolis há 20 anos para viver na Europa, atualmente em Lyon, na França.
As ilustrações da edição são da mestre em design pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e pesquisadora Aline Haluch.
Lançamento do livro ‘Memórias de D.Pedro, o último imperador do Brasil
Data: 9 de agosto de 2022
Horário: Das 17h30 às 18h30.
Local: Biblioteca Pública do Paraná, R. Cândido Lopes, 133 – Centro, Curitiba
– PR.