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Arlete, mãe do Guilherme, ex-deputada estadual, morre aos 82 anos em Curitiba

Natural de Porto União (SC), a ex-vereadora estava com 82 anos de idade
(Foto: Divulgação)
Natural de Porto União (SC), a ex-vereadora estava com 82 anos de idade

Redação Nosso Dia

24/03/26
às
16:28

- Atualizado há 4 segundos

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Morreu nesta terça-feira Arlete Caramês, o que causa intensa comoção e repercussão. Ela foi vereadora na 13ª Legislatura (2001-2002) e interrompeu o mandato para assumir, em 2002, uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Natural de Porto União (SC), a ex-vereadora estava com 82 anos de idade. Bancária de profissão, Arlete tornou-se ativista e ingressou na política após o desaparecimento de seu filho, Guilherme Caramês Tiburtius, em 1991, aos oito anos de idade, no bairro Jardim Social. O caso teve repercussão nacional e até hoje não foi solucionado.

“Arlete Caramês foi uma mulher inspiradora, que nos deixou um grande legado. Após um evento traumático, transformou-se em ativista e, também por meio da política, conseguiu avanços efetivos na proteção das crianças e dos adolescentes. Nossos sentimentos aos amigos e aos familiares”, declarou o presidente da CMC, vereador Tico Kuzma (PSD).

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A vereadora Sargento Tânia Guerreiro (Pode), que há mais de 30 anos atua no combate à pedofilia e ao abuso infantil, também lamentou a perda. “Arlete Caramês nos deixa um legado de coragem, resiliência e compromisso com a vida. Sua história é um testemunho de amor incondicional que ultrapassou a dor e se transformou em luta coletiva. Seu nome permanecerá como símbolo de resistência e esperança”.

Arlete Caramês fundou, em 1992, o Movimento Nacional da Criança Desaparecida do Paraná (CriDesPar), uma ONG voltada à prevenção e à localização de crianças desaparecidas que a tornou reconhecida nacionalmente. Em 1998, Arlete concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados. Apesar dos 30.226 votos, não se elegeu. Dois anos depois, com 14.160 votos, foi eleita vereadora de Curitiba. 

No Legislativo de Curitiba, integrou as comissões de Constituição e Justiça (antigamente chamada de Legislação, Justiça e Redação) e de Serviço Público. É autora da lei que instituiu no calendário oficial de eventos da cidade, na terceira semana do mês de julho, a Semana da Prevenção Contra Desaparecimentos de Crianças e Adolescentes (lei municipal 10.529/2002). Também é dela uma norma referente à acessibilidade em caixas eletrônicos (lei municipal 10.521/2002). 

Durante seu mandato na Câmara, Caramês apresentou outras propostas de lei voltadas à infância que, apesar de não aprovadas, refletem sua atuação na área, entre elas: divulgação de pessoas pessoas desaparecidas no site da Prefeitura de Curitiba; ficha para identificação de crianças em hotéis; e a exigência de carteira de identidade na matrícula escolar. 

O ativismo de Arlete Caramês contribuiu para a criação, em 1995, do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas do Paraná (Sicride), que permanece em atividade até os dias de hoje. De acordo com o site da Polícia Civil do Paraná, o Sicride é a primeira e única estrutura do Brasil dedicada exclusivamente ao desaparecimento de crianças e adolescentes.

Outra conquista em que ela atuou foi na criação da Lei 11.259/2005, que alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), para garantir a realização de buscas imediatas após o desaparecimento de crianças e adolescentes ser comunicado aos órgãos competentes. Esses órgãos devem comunicar “o fato aos portos, aeroportos, Polícia Rodoviária e companhias de transporte interestaduais e internacionais, fornecendo-lhes todos os dados necessários à identificação do desaparecido”.

Informações sobre o velório e o sepultamento ainda não foram divulgadas pela família.

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