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Aos 26 anos, a estudante de medicina Camille Marques, moradora da Barreirinha, em Curitiba, enfrenta dificuldades financeiras para conseguir permanecer na graduação após perder o pai, aos 42 anos, para a Covid-19. Para manter os estudos, a família vendeu a casa onde morava e utilizou todas as economias, mas os recursos se esgotaram. Agora, ela pede ajuda para não abandonar o curso.
Atualmente, Camille é estudante da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), está no 9º período, penúltimo ano do curso, e acumula uma dívida de R$ 101.450,00 referente às mensalidades do ano passado, que giram em torno de R$ 13.500 cada.
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Para tentar regularizar a situação, ela criou uma vaquinha on-line para quitar o débito e garantir a continuidade do curso. “Hoje eu vim contar minha história, abrir meu coração e fazer um pedido de ajuda em nome do maior sonho da minha vida, que é me tornar médica. Quem sabe até inspirar outras pessoas que estão passando ou passaram pelo mesmo que eu”. Camille pretende se especializar em ginecologia, obstetrícia ou pediatria.
Camille conta que a trajetória até a faculdade foi longa. Foram quatro anos de cursinho, com foco exclusivo em universidades públicas. Segundo ela, estudar em uma instituição particular era inviável, e não havia enquadramento em programas como ProUni ou Fies.
Em 2021, em meio à pandemia de Covid-19, a família enfrentou uma reviravolta. O pai de Camille, que era sócio de uma agência de marketing, adoeceu gravemente e precisou ser internado. “No 20º dia de internamento, quando ele já estava entubado e sedado, eu recebi a convocação para me matricular”, relata.
Com a ajuda de amigos próximos e de uma familiar, que arcou com parte da matrícula e das mensalidades do primeiro ano, Camille conseguiu iniciar o curso na Universidade Positivo. Pouco depois, o estado de saúde do pai se agravou. Ele sofreu uma parada cardiorrespiratória e ficou com sequelas neurológicas graves.
“Por conta dessas sequelas irreversíveis, ele ficou acamado e totalmente dependente de cuidados intensivos. Minha mãe deixou 100% do tempo dela para cuidar dele e ficou desempregada”, conta Camille. A mãe da jovem hoje trabalha com carteira assinada como coordenadora de atendimento ao cliente em uma empresa na capital.
Durante meses, a família manteve uma rotina intensa de cuidados, com apoio de médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, enfermeiros e técnicos de enfermagem. O pai morreu em janeiro de 2022, após complicações da Covid-19.

Após o período de luto, Camille precisou decidir se continuaria ou não na graduação. Em julho de 2022, ela optou por prestar uma prova de transferência para a PUC-PR, já que não conseguia financiamento na instituição onde estudava. Aprovada, precisou retornar um ano na formação, o que prolongou o curso e aumentou os custos. “Apesar de ter validado muitas matérias, eu tive que pagar um ano a mais integral, porque não foi permitido reduzir o valor da mensalidade”, afirma.
Desde então, Camille diz que tentou diversas vezes acessar o financiamento estudantil oferecido pela universidade, sem sucesso. “Já foram mais de quatro tentativas, mas não conseguimos porque não atingimos a renda per capita mínima exigida.”
Paralelamente, a mãe permaneceu desempregada por um longo período. Para se manter, a família vendeu a casa onde morava e utilizou as reservas financeiras para pagar a faculdade e dívidas acumuladas.
No 8º período, ano passado, a situação voltou a se agravar. Camille passou a trabalhar em um shopping, conciliando a jornada noturna com os estudos, para ajudar nas despesas da casa e da graduação. “Infelizmente, agora eu esgotei todos os meus recursos. Para me matricular, eu preciso pagar o semestre passado, que está pendente, e a rematrícula”, diz.
A decisão de tornar a história pública, segundo ela, foi difícil. “Pensei muito antes de abrir essa vaquinha e expor a minha família, mas acredito que qualquer coisa vale a pena pelo sonho que eu tenho.”
O desejo de seguir a carreira médica se fortaleceu durante a internação do pai. “Quando meu pai estava acamado na UTI, eu pude ver o outro lado, o lado do paciente e da família. Percebi o quanto o profissional de saúde pode fazer a diferença na vida das pessoas. Recebemos cuidados médicos excepcionais. Foi ali que eu tive certeza de que queria seguir esse caminho e fazer a diferença de verdade”, disse.
Assista ao vídeo com o relato da jovem:
Camille afirma que qualquer ajuda é bem-vinda. As doações podem ser feitas por meio da vaquinha on-line, criada para ajudar no pagamento da dívida da faculdade, ou via PIX.
Clique aqui para acessar a vaquinha.
PIX: (41) 99920-4994
“Se não puder doar, eu peço que compartilhe. Isso já ajuda para que a história alcance mais pessoas”, afirma.