
- Atualizado há 4 anos
O policial militar Dyegho Henrique Almeida da Silva, que na tarde de terça-feira (13 )cometeu suicídio e matou a enfermeira Franciele Cordeiro, de 28 anos, no bairro Rebouças, em Curitiba, retirou a arma usada no crime horas antes. Ele permaneceu três meses sem o objeto, devido a uma quarentena por questões psiquiátricas, período em que também esteve afastado das funções.

A informação foi dada nesta quarta-feira em uma coletiva de imprensa por parte da Polícia Militar (PM). Segundo o major Luciano Cordeiro, chefe do COPOM (Centro de Operações da Polícia Militar), o soldado tinha voltado a trabalhar no dia 22 de agosto.
“Ele permaneceu em uma quarentena, sem a arma, por questões psicológicas, e passou por uma junta médica que liberou a posse”, explicou o major Cordeiro, confirmando que o policial militar recebeu a arma no dia do crime e que no mesmo momento Franciele esteve na Corregedoria da Polícia Militar pedindo por ajuda.
Sobre o comportamento do soldado, o major Cordeiro afirmou que nunca houve problema com ele na corporação. “Ele atuava como despachante das ocorrências e nunca apresentou nenhum problema em serviço. Ia atuando muito bem e tinha elogios em sua ficha, inclusive na época que trabalhou na rua no 13°BPM. Nunca apresentou nenhum problema para nós. É um fato lamentável”, disse.
Boletim de Ocorrência e Medida Protetiva
O que o comando da PM sabe é que no domingo, dia 11, a enfermeira esteve na Corregedoria para relatar as ameaças que sofria. “Nós passamos para ela que nosso trabalho é um alcance na questão disciplinar. Na questão criminal, cabe a Polícia Civil e ela procurou a Delegacia da Mulher no mesmo dia e relatou as ameaças, pedindo a medida protetiva, que foi expedida. Só que aconteceu que a PM não tinha o conhecimento da medida antes do crime, bem como ele (Dyegho) também não sabia da medida e acreditamos até que ela não sabia, tanto que esteve na Corregedoria de novo ontem, horas antes do crime”, destacou o coronel Dorian Cavalheiro, comandante da Corregedoria Geral.
Questionado se houve erro de avaliação do caso pela PM, visto o fato do policial ter recebido a arma horas antes do crime e Franciele ter pedido ajuda, o coronel disse que algumas situações vieram á tona depois do crime. “A gente não tinha conhecimento, por exemplo, da medida protetiva. Talvez, se soubéssemos, a nossa conduta seria outra, além de não sabermos o teor da medida. Ela nos procurou para questionar sobre a questão disciplinar e nós informamos o que tinha sido feito. Então, nós não tínhamos conhecimento da medida”, salientou.
A capitã Carolina Zancan, da Câmara Técnica da Maria da Penha, que acompanhou o caso em detalhes, lamentou as ordens cronológicas dos acontecimentos. “Apesar dos boletins de ocorrência, de ambas as partes, a PM nunca foi formalizada da necessidade de uma intervenção. Não foi trazido ao conhecimento a necessidade de intervenção. Ela pediu uma medida protetiva no domingo, que foi dada, mas ela só entra em vigor se o agressor for notificado, o que não aconteceu. Então, na tarde de terça, ela foi até a Corregedoria afirmar que pediu a medida e, no quartel, o policial pegou a arma. Em seguida, minutos depois, o crime aconteceu. Não houve como a PM intervir”, lamentou.
A policial militar informou ainda que foram feitos vários boletins de ambas as partes e que o policial militar não tinha sido afastado por um problema envolvendo o relacionamento com Franciele, que durou um ano e tinha acabado há cerca de um mês, mas sim por outras questões.