
- Atualizado há 10 meses
O deputado estadual Samuel Dantas (Solidariedade) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) nesta segunda-feira (17) para rebater as acusações de envolvimento em um suposto esquema de “rachadinha”. O parlamentar afirmou que a investigação contra ele foi iniciada sem provas e baseada apenas em depoimentos de ex-assessores que teriam sido demitidos por não cumprirem suas funções.
Na semana passada, as ordens judiciais expedidas pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Paraná, a pedido do MPPR, foram cumpridas pelo Núcleo de Curitiba do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Alep.
“Toda a gravidade da situação veio sendo investigada há meses, sem que haja qualquer prova ou indício concreto dos crimes que me imputam”, declarou Dantas. Segundo ele, a investigação teve origem nos relatos de dois ex-assessores que foram exonerados. “Um deles permaneceu no cargo por apenas 27 dias. Curiosamente, ambos são amigos e apresentaram relatos idênticos numa evidente demonstração de que seus depoimentos foram combinados”, disse.
O deputado também criticou a atuação do Ministério Público, alegando que a investigação foi conduzida sem elementos probatórios. “Investigação sem provas, baseada em boatos…Sabe que não pode iniciar uma investigação sem o mínimo de provas. Como o MP inicia uma investigação sem provas, baseada apenas em falácias?”, questionou.
Durante seu pronunciamento, Dantas mencionou a prisão de um ex-assessor de seu gabinete, identificado como Maranhão, acusado de extorsão. Segundo o deputado, Maranhão exigiu R$ 250 mil sob ameaça de divulgar informações contra ele. “Esse indivíduo tentou ocultar rastros digitando mensagens no celular e utilizando táticas de manipulação. No entanto, conseguimos reunir provas claras e irrefutáveis: gravações de áudios, vídeos e mensagens documentadas que expõem sua tentativa criminosa”, afirmou.
O ex-assessor, que recebia cerca de R$ 18 mil mensais e trabalhou por um ano no gabinete de Dantas, foi preso em flagrante no momento em que tentava receber o dinheiro em um posto de gasolina no bairro Pinheirinho, em Curitiba. “Com o apoio jurídico necessário, conseguimos registrar todas as evidências. Procurei a delegacia mais próxima munido de todas as provas. O resultado: Maranhão foi preso em flagrante”, relatou.
Dantas também questionou a conduta do Ministério Público do Paraná (MPPR), afirmando que a promotora do caso teria alterado datas de provas cruciais. “Alterou deliberadamente as datas das provas cruciais, como os vídeos gravados nos dias 26 e 27 de novembro, registrando-os com data anterior, como se fossem gravados em outubro”, acusou.
O deputado disse ainda que as ameaças feitas pelo ex-assessor foram ignoradas pelo MPPR. “Mesmo diante dessas evidências contundentes, a promotora descartou as ameaças explícitas de Maranhão. Alegando que não houve ameaça, ignorou as mensagens temporárias enviadas para intimidação, ameaças diretas à destruição da minha imagem e a pressão psicológica imposta aos meus assessores”, afirmou.
A Polícia Civil informou que o ex-assessor pode responder pelos crimes de extorsão, calúnia e difamação. As investigações continuam para apurar outros possíveis delitos relacionados ao caso.
O Portal Nosso Dia entrou em contato com o Ministério Público do Paraná e não se manifestou sobre a fala do delegado.
