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A secretária municipal de Saúde de Curitiba, Beatriz Battistella Nadas, fez um alerta na Câmara Municipal de Curitiba, nesta segunda-feira (25), para a queda da cobertura vacinal no Sistema Único de Saúde (SUS) da capital. Ela falou durante durante a audiência pública de prestação de contas quadrimestral.
“Só estamos com a BCG acima do recomendável. Todas as outras vacinas estão abaixo de 95%, trazendo para nós o alerta da importância de resgatarmos a cobertura para controlar essas doenças, que são preveníveis”, avisou a secretária.
A secretária Beatriz Nadas mostrou ainda que, em 2022, a cidade de Curitiba bateu as metas de vacinação, mas neste ano, até agosto, os números estão abaixo do desejado para as vacinas de rotavírus (84%), meningocócica C (82%), pentavalente (81%), pneumo 10 (83%), pólio VIP (82%), febre amarela (83%), VTV (93%), hepatite A (88%), varicela D1 (88%), tríplice viral D2 (85%). Para praticamente todas, a meta é 95%, pois apenas BCG e rotavírus têm meta de 90%. “Ano passado atingimos percentuais [positivos] expressivos, mas neste ano recuou, e essa oscilação não é desejável”, disse.
“O Ministério da Saúde tem feito um grande movimento nacional para recuperar as taxas recomendadas no Brasil e é importante que providências sejam tomadas, para que a cobertura seja atingida, porque [a imunização] tem sentido quando se espalha em todo o território”, continuou Beatriz Nadas, lembrando que lugares com vacinação mais baixa se transformam em focos das doenças. Comparando Curitiba e Brasil, por exemplo, enquanto aqui a vacinação contra a pólio está a 82%, nacionalmente a meta está apenas 54%. Para meningite, a diferença é ainda maior, de 82% para 52%.

A audiência de prestação de contas foi coordenada pela Comissão de Saúde e Bem-Estar Social, que é presidida por Alexandre Leprevost, e que tem João da 5 Irmãos (União), vice, além de Noemia Rocha (MDB), Oscalino do Povo (PP) e Pastor Marciano Alves (Solidariedade) na composição. A apresentação do relatório quadrimestral pela SMS está prevista no artigo 36 da lei complementar federal 141/2012, como ferramenta de transparência na gestão dos recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).
Beatriz Nadas prestou contas do tamanho da Secretaria Municipal de Saúde, que conta hoje com 159 equipamentos públicos, onde são ofertados 308 serviços do SUS à população. A maior parte dos prédios é de Unidades Básicas de Saúde (UBSs), em número de 108, contando também com 17 hospitais (2 próprios e 15 conveniados), 13 Centros da Atenção Psicossocial e 9 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), por exemplo. A SMS tem hoje 10.119 servidores públicos e 28.158 trabalhadores na rede contratada.
De janeiro a agosto de 2023, a SMS registrou 8.996 consultas médicas por dia na atenção básica, totalizando 1.439.295 no período. Nesses oito meses, foram feitas também 686 mil consultas com enfermeiros, 7,6 milhões de procedimentos e 845 mil atendimentos das equipes de saúde bucal. Nas UPAs, foram 3.389 consultas médicas por dia, totalizando 824 mil no período, acompanhadas de 2 milhões de procedimentos médicos e de enfermagem, mais 6,9 mil odontológicos. O Laboratório Municipal fez 4,9 milhões de exames. “Neste quadrimestre, reformamos 27 clínicas odontológicas, totalizando 81 entregues à população, ainda com umas 20 em obras”, complementou a gestora do SUS.
Quanto aos indicadores de saúde, Beatriz Nadas pontuou que, de janeiro a junho, ocorreram 62.167 mil internações no SUS de Curitiba, e que, até agosto deste ano, foram registrados 7.829 óbitos. Ela apontou que o perfil das internações e óbitos segue o dos anos anteriores, com prevalência das causas externas na ocupação dos leitos e das doenças do aparelho circulatório nos óbitos. A mortalidade infantil segue nos padrões dos anos anteriores, mas a secretária de Saúde esclareceu que, com a redução no número de nascimentos na cidade, cada caso passou a ter um peso proporcionalmente maior, refletindo nessa taxa.
No segundo quadrimestre de 2023, a gestão do SUS de Curitiba movimentou R$ 946 milhões, sendo 45,89% provenientes de recursos próprios, 47,04% de recursos federais (incluindo R$ 5,1 milhões de emendas parlamentares) e 6% de recursos estaduais. As maiores despesas foram com os contratos do SUS (R$ 261,7 milhões), folha de pagamento (R$ 261,3 milhões) e a Fundação Estatal de Atenção à Saúde (R$ 159,2 milhões). A secretária Beatriz Nadas confirmou a informação, dada por Bruno Pessuti (Pode), de que movimentação da deputada estadual Márcia Huçulak mobilizou R$ 3,5 milhões para o reequipamento do Hospital do Idoso.
A gestora do SUS pediu ajuda dos vereadores na conscientização da população sobre o combate ao mosquito aedes aegypti, especialmente na perspectiva de um ciclo de calor e chuvas associado às mudanças climáticas. “É um ambiente favorável ao aedes, logo podemos ter um ano com transmissões aumentadas. O Paraná vive uma epidemia de dengue no Litoral e no Oeste”, disse Beatriz Nadas. “A nossa cidade tem um sistema de saúde bastante demandado, então se entrar mais essa [um surto ocasional de dengue] podemos ter dificuldade. É uma guerra em que não podemos ser os únicos soldados. Depende de cada cidadão fazer o controle do seu espaço, para evitar criadouros do mosquito”, completou.
*Com informações da CMC